Bom Dia!
Uma criança de dez anos de idade furta o revólver de seu pai, dirige-se à Escola e atira, aparentemente sem causa visível na professora. Em seguida, sai da sala de aula vai até o corredor e atira de forma certeira contra a própria cabeça. A tragédia aconteceu em São Paulo, mas não me parece ser apenas paulista.
Fico me perguntando, e recordando meus filhos aos dez anos, tentando verificar e identificar o que melhorou nas informações que estes pré-adolescentes recebem para além da família, nos meios onde convivem com os coleguinhas, especialmente pela TV ou nos cinemas, nos jogos, nas redes sociais, e por aí vai.
Gostaria de poder apontar incrementos de informações eticamente corretas, ou que não criassem confusões sobre conceitos básicos que trazemos dentro de cada um de nós e que vamos aperfeiçoando com o passar dos anos, tal como a estrutura de uma família.
Tentei identificar tudo isto, desde o dia da tragédia. Não o consegui.
A sociedade pressiona os jovens e as suas crianças para que elas aceitem padrões de comportamento e postura que vão de encontro aos princípios morais que carregamos escritos em nossa alma. A mídia torpedeia e tenta minar qualquer padrão que não seja igual ao da 'moda', criando neles uma confusão mental digna de um manicômio. Os jogos, filmes e redes criam um mundo onde a violência é tão natural, a morte tão banal, que os jovens são incentivados a disputarem quem engana mais e mata mais do que os outros.
Tudo isto é feito como se não provocassem sequelas naqueles mais sensíveis.
A sensibilidade de alguém não aflora, não dá para ser medida, salvo em situações calamitosas e trágicas como esta. As lágrimas dos pais, o total e amplo desconsolo da mãe, a sensação de que algo foi feito errado vai perseguir os pais desta criança pelo resto de suas vidas. Apenas a fé pode dar-lhes força para seguir, mas talvez nem ela seja capaz de afastar-lhes os fantasmas da culpa e a dora da ausência.
A professora está traumatizada e ainda hospitalizada. Suas sequelas poderão afastá-la da sala de aula, ou torná-la leniente em relação aos padrões de comportamento que talvez ousasse defender num mundo tão pérfido.
Não sabemos. É cedo para atestarmos a concretude dos fatos que levaram aquela criança a puxar o gatilho. Mas já dá para afirmarmos que a educação que se apresenta enquanto sistema, definitivamente, ruiu.
Será que vamos continuar a nos omitir das grandes discussões que se avizinham?
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