Boa Tarde!
Discute-se muito no mundo corporativo a questão da centralização administrativa e operacional. Solução moderna, defenderão alguns ao observarem os crescentes custos administrativos que roubam preciosos recursos às organizações, em especial nos conturbados dias que atravessamos. Retrocesso! Bradarão outros em nome de uma construção coletiva de resultados que somente se dá pela participação mais efetiva dos diversos níveis empresariais, pois comprometimento não se alcança por decreto, nem por intimidação.
Afinal, quem está com a razão?
Escutei, dia desses, de um jovem e talentoso sacerdote católico (Padre Eric), uma historinha que permite, além de outras reflexões mais pessoais, construirmos um pensamento acerca desta questão corporativa:
“Uma jovem senhora, prestes a embarcar num vôo, resolveu comprar uma saquinho de deliciosas batatas fritas, de que tanto gostava, guardando-o dentro de uma de suas sacolas de mão. Após ter enfrentado um tumultuado embarque, ao chegar na aeronave sentou-se e resolveu relaxar, de preferência usufruindo de sua guloseima. Para seu espanto, viu o pacote de batatinhas aberto e depositado na mesa do gorducho senhor da cadeira vizinha. ‘Que ousadia’, pensou, ‘ter aberto minha bolsa e meu pacote de batatinhas!’ Encarando-o com rosto de poucos amigos, enfiou a mão no saco e retirou uma batatinha. O Senhor olhou-a um tanto surpreso, porém nada disse e, calmamente, retirou também uma batatinha. Enfurecida e silenciosamente a jovem senhora repetiu o gesto, seguida sempre pelo cavalheiro, até que, no pacote, só restou uma batatinha. ‘Só faltava agora ele querer comer a última!’, fuzilou em seu pensamento. Educadamente o cavalheiro apontou-lhe a última, num gesto educado, que ela rapidamente tratou de engolir, resmungando de forma irritada e audível. Ainda zangada, coletou rapidamente suas coisas no desembarque e sem demora tomou o primeiro taxi que apareceu. Ao chegar perto de casa, abriu sua sacola para pagar o taxi e, qual não foi sua surpresa, percebeu que o pacote de batatinhas que havia comprado lá repousava, intacto! Havia comido o pacote de batatinhas do vizinho!”
Ou seja, a arrogância, o individualismo e a forma egoísta de ver e avaliar o mundo ao seu redor não lhe permitiram perceber que se apossara e disputara algo que não lhe pertencia! E ainda tratando mal a quem lhe serviu, sem falar na grosseria e falta de educação!
E assim, de uma forma geral, são os defensores da centralização. Tornam-se arrogantes em seu poder, prepotentes no trato de seus subordinados e com pouca visão sistêmica para perceber os melhores caminhos para os processos dos quais é responsável. Não é à toa que, na maioria das vezes, os resultados das centralizações são pífios, ou mesmo piores do que o estado anterior. E aí, claro, a culpa torna-se mais importante do que a solução!
A centralização é uma opção estratégica que requer alta concentração de saberes técnicos e competência gerencial no órgão centralizador. Portanto, não é importante a discussão se ela é certa ou errada, e sim, se existe ou não este requisito essencial e intrínseco à decisão de se centralizar. Ela pode existir, se efetivada de maneira profissional e sempre atrelada à resultados efetivos e mensuráveis. Deve ser conduzida por técnicos habilitados e experientes, sob pena de tornar-se um mero instrumento de um poder cego e amador e que, como no caso do saco de batatinhas, só levará a organização à decepção e frustração futuras!
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