21 de out. de 2011

MOMENTO DE MUDANÇAS

Boa Tarde!

Entrou na pauta da imprensa paulista o caso dos materiais pretensamente descartáveis ou para expurgo, por serem lixo hospitalar e que agora se 'descobriu' serem reaproveitáveis e estarem sobre diversas camas pobres em nosso país. Todos (que não atuam no mercado de saúde) se dizem estarrecidos, inquéritos estão sendo abertos e toda a parafernália da mídia foi acionada.
Antes de serem crucificados TODOS os donos de hospitais que certamente serão colocados em um único balaio, precisamos refletir de forma estratégica sobre a questão:

1. Inexiste NORMA JURÍDICA que regulamente o funcionamento dos hospitais. Isto faz com que a qualidade de suas gestões dependa das PESSOAS que os administram, de suas competências e de seu profissionalismo. Isto é quase nada para um setor que possui o argumento surrado, mas ainda usado, de que a 'saúde a qualquer custo' é o que importa.
Sem norma não há a sensação de punibilidade para os excessos. E a impunidade é a mãe de todas as violências, merecendo ser dito que cuida bem para que suas filhas cresçam a cada dia.

2. Inexiste a FISCALIZAÇÃO por parte das autoridades competentes. Sem a fiscalização é impossível o controle sanitário especialmente dos materiais que são tão regiamente cobrados às operadoras por serem 'descartados'. A omissão do Estado chega a ser asssustadora. E não será resolvida com discursos em momentos de crise, mas com ações concretas de reforço à estrutura da ANVISA e dos demais órgãos competentes para efetuá-la.

3. Existem donos e donos de hospitais. Mas é impossível a um empresário hospitalar, por mais competente que seja, visualizar TODA A CADEIA de operações de um hospital de grande porte. Aliás, nem sequer lhes é possível conhecer todos os funcionários e respectivos coordenadores de serviços. Os executivos destas complexas unidades de atendimento definem os processos, estabelecem as rotinas a serem seguidas e delegam tais conduções aos que irãi chefiar respectivas equipes. Mais do que isto eles não conseguem fazer. É humanamente impossível realizá-lo. Portanto, a investigação deve começar DOWN-TOP. Identificando se os crimes foram cometidos por instrução de tais empresários ou, em sua maioria, como acredito, à revelia deles. E aí, uma vez firmada a materialidade e autoria, punição rigorosa com tais deliquentes.

Espero que esta questãonão se transforme em mais um tabuleiro de vaidades. Os riscos trazidos com estas ações criminosas são imensos, mas o fato concreto nos permite ir além da punição: firmar processos e ajustar controles de tal forma que a saúde dos que se internam e daqueles que compram tecidos mais baratos seja, efetivamente, protegida.

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