Mais um exemplo de como o uso indevido da Tecnologia pode trazer seqüelas terríveis para nossa saúde: estudos da União Européia, veiculados na semana passada, apontam que um em cada dez pessoas que costumas usar FONES DE OUVIDO para ouvir música ou falar ao celular, em volume alto, por mais de uma hora por dia, num período de cinco anos, correm elevado risco de perderem definitivamente sua audição.
Os pesquisadores foram organizados numa Comissão Científica independente para avaliar os riscos, a população exposta e sugerir ações preventivas, inclusive junto aos fabricantes dos famosos Leitores de Música (MP3 e seguintes), uma vez que se projeta entre 50 e 100 milhões de europeus aqueles usuários diários dos fones de ouvido.
A maior preocupação dos cientistas está na camada mais jovem da população: as crianças e os adolescentes. Estes costumam, além do uso por longos períodos, elevar a tonalidade para mais de 90 decibéis, como forma de compensar os ruídos do trânsito e demais barulhos da vida urbana. Também é notório que os jovens fazem do celular um verdadeiro banco de praça, derramando-se em longos e intermináveis telefonemas, sempre com o auxílio dos fones.
As pesquisas apontam qualquer volume em torno dos 100 decibéis como altíssimo risco. É possível, segundo a Comissão Européia, que já existam de 2,5 a 10 milhões de pessoas com a audição irremediavelmente comprometida.
Vale lembrar que a exposição do nosso cérebro a níveis tão altos de barulho, por períodos consideráveis, geram outros agravos tais como os rumores noturnos, que interferem na qualidade do sono, a aceleração dos batimentos cardíacos e um aumento do estado de ansiedade. Todos danosos ao equilíbrio mental e físico do nosso corpo.
Não se trata de uma má tecnologia, não é esta a questão! Os fones de ouvido são tão necessários, quanto os leitores de música. Mas a forma irresponsável como são apresentados aos consumidores, em especial os jovens, estão causando estragos já agora e sérias conseqüências num futuro nem tão distante.
Diversas peças publicitárias apresentaram os MP3 e seguintes como uma forma de se “fugir” do mundo e dos “caretas” que o povoam. Possuíam uma mensagem implícita de que quanto maior o volume, menor o contato e a “contaminação”. Levaram ou induziram a um uso indiscriminado do aparelho, como se nenhum dano causasse aos seus usuários. Talvez seja a hora de cobrar destas mesmas empresas não apenas mudanças tecnológicas efetivas nos aparelhinhos, mas também o financiamento de campanhas publicitárias educativas e sérias sobre os riscos do mau uso, em especial pelas crianças e jovens. Quem sabe mexendo com os seus bolsos, nos próximos lançamentos estas empresas tenham mais responsabilidade na forma de divulgar as novas tecnologias?
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