5 de jan. de 2012

SEM PERSPECTIVA

Não é fácil entendermos aonde quer chegar os jovens funcionários que ingressam nas empresas. Se há uma década ou duas atrás, tínhamos que cuidar para que suas opções ideológicas não contaminassem seu crescimento e desenvolvimento profissional, hoje dá para sentirmos saudades de qualquer opção clara, seja ela ideológica, política ou de qualquer espécie.
Aliada à falta de projeto de futuro, a maioria dos novos funcionários, especialmente os jovens (refiro-me aos que possuem idade inferior a 25 anos), não possui qualquer noção de comprometimento corporativo, menos ainda maturidade profissional e mesmo pessoal. É assustador.
Procura-se emprego, mas despreza-se o trabalho a sere desenvolvido. Procura-se diplomas, mas despreza-se o saber, o aprofundamento no conhecimento que pode levá-los às posições mais estratégicas no futuro. Aliás, procura-se o cargo e o salário de gestor, mas abomina-se a estrada e a caminhada que possibilitam a apropriação da sabedoria.
Não se valorizam mais as leituras e o conhecimento técnico necessário à carreira escolhida, a busca é pela rede social A, B ou C, como forma de fofoca e de apreensão de cultura inútil, futilidades ou mexericos.
Não se quer uma formação profissional, busca-se uma ocupação que possibilite um salário que seja capaz de levá-los às baladas e raves.
Vive-se um presente tão superficial e vazio, que para eles, parece-me, a 'profecia maia' (sic) de final do mundo em 2012, que é a nova rama de ganhar dinheito dos idiotas, deve ser a mais pura verdade. Se o mundo vai acabar, para que eu devo esforçar-me?
Penso que, quando estes jovens estiverem no comando do mundo, proliferarão as ditaduras ou as mediocridades, ou ambos. Não acredito mais que se possa extrair de um cérebro vazio, nada além de um eco: o pedido de socorro das células restantes que, criadas para produzirem gênios, são assassinadas lentamente pelas tristes opções feitas por seus proprietários.
Estou com saudades dos visionários, dos aguerridos, dos brigões. Até mesmo dos esquerdistas, que tanto se iludem e enganam os demais com suas falsas promessas de liberdade que acabam construindo um mundo imaginário somente deles. Até deles tenho saudades.
Sinceramente, preferia aguentar as idéias malucas dos admiradores de ENVER HOXHA do que as cabeças vazias que agora idolatram MICHEL TELÓ. O que será do futuro?

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