Bom Dia!
Lendo JÚLIO VERNE, em sua obra "Os Conquistadores", do século XIX, e que trata dos diversos embates travados pelos espanhóis para a colonização e exploração das Américas, descobri-me refletindo sobre a forma agressiva e imediatista usada por todos os conquistadores designados pela coroa e os tempos atuais. Sim, parece despropositada a comparação, mas penso que nem tanto.
Os espanhóis, seguindo a lógica vigente nos séculos XV e XVI, buscavam novas fontes de recursos que pudessem enriquecer a coroa espanhola e manter o glamoroso fausto da corte. Não se importavam com os direitos dos índios, o respeito à natureza e tampouco se voltavam para o futuro. Era o ganhar agora e o resto, é o resto!
Em que tudo isto me lembrou o tempo (leia-se: o mercado) atual?
Nossos dias são marcados por um grande paradoxo: todos os atores existentes no mercado de saúde conseguem identificar as causas da crise que atravessamos e até mesmo concordam com os cenários apresentados. Entretanto, na hora de se construir a solução consensual, esbarramos no maior dos problemas: a falta de confiança.
Boa parte das empresas, de qualquer dos lados (fornecedores, compradores, prestadores, etc), quer crescer a qualquer custo, de forma imediata, sem preocupar-se com o futuro. É aquilo que chamo de crescimento lateral: não há ganho de mercado, apenas o deslocamento de massa de clientes de um lugar para outro. Ora, se não há entrada de novos capitais, o que estamos fazendo é retirar uns dos outros importantes parcelas de valores que poderiam assegurar a sobrevivência de todos, a melhoria dos ganhos e, principalmente, o aumento de qualidade no Setor.
Não vou nem comentar acerca da responsabilidade social, pois se não conseguimos perceber que esta competição insana levará a todos para a bancarrota, como poderemos perceber a nossa inserção na sociedade e a responsabilidade que devemos ter para com ela?
Parece-me que não estamos competindo, na melhor acepção técnica deste termo.
Estamos, na maioria dos casos, brigando para conquistar territórios.
Nem mesmo se tratam de NOVOS territórios, e sim àqueles pertencentes aos meus vizinhos. Estes últimos, por sua vez, para compensar a perda vão em busca do quintal dos outros, e assim la nave va...
Competir é agregar novos nichos de mercado ao seu portfólio de clientes. Não é andar em círculos, e sim em frente!
Competir é fazer da Qualidade oferecida um default em sua empresa, para que através da ação de encantar nossos clientes façamos com que estes sejam os maiores vendedores dos produtos de nossa empresa para que outros se tornem nossos clientes!
Competir é fazer o mercado tornar-se maior por ser melhor. Conquistar é apenas usar o fato de ser maior, mais poderoso (ou como os conquistadores espanhóis do século XV, mais armados e truculentos), para impor sua vontade e ganhar lateralmente espaço.
O que estamos fazendo em nossa empresa? O que estamos implantando como gestores de nossas empresas: competição ou conquista?
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