24 de mar. de 2008

APOCALIPSE DO MOSQUITO

Bom Dia!

Desde que o mundo é mundo, os antigos especulavam acerca da forma como se daria o fim dos tempos. Sim, o armagedom poderia se dar em Meguido (origem do nome), no longíquo Israel, ou nas terras da antiga Mesopotâmia, hoje ocupadas por países tão conturbados e agitados do Oriente Médio. Seja qual for a crença, os pesquisadores buscavam ansiosos uma concreta identificação do agente principal do apocalipse.
Usei, de propósito, o verbo no passado. Cessem os estudos, eis que se revelou o verdadeiro agente do apocalipse: o mosquito da Dengue! Não há razões para fazer piadas e estou mesmo é com vontade de chorar!
Há alguns dias as manchetes dos jornais aqui do Rio parecem estar retratando o fim do mundo:
"Governo economiza no combate ao Dengue": o Ministério da Saúde recebeu no ano passado recursos da ordem de R$ 21 milhões para o combate ao AEDES. Pois bem, pasmem, mas fizeram "economia" de quase 15 milhões! Não aplicaram os recursos para a prevenção!! O resultado disto... Todos conhecemos.
"Veículos do fumacê estão quebrados e abandonados em terreno baldio": os veículos estão destroçados, alguns parecem não ter mais motores, pneus e similares. Mantém ainda o logotipo do governo federal e a destinação: combate à Dengue. Por que não foram consertados? Por que estão abandonados? As respostas para estas questões... Todos conhecemos.
"Prefeitura do Rio pode ter demitido agentes de saúde": embora tenha havido uma veemente negativa do Prefeito, não se explicou a diminuição dos quadros destes importantes vetores de promoção à saúde. Quem ocupou o papel de educar a população? Quem está acompanhando as ações necessárias à saúde? As consequencias disto... Todos conhecem.
É muito duro ver seus pais chorando os filhos perdidos num conflito. Mas é incomensurável, em pleno Século XXI, ver pais chorando a derrota da sociedade para um insignificante mosquito. Temos lágrimas para tantas coisas que às vezes nos falta àquelas que provoquem em nós a completa insatisfação com tantas falhas!
Chega de discursos e troca de acusações. A Saúde não precisa de culpados e sim de gestores. Gestores que assumam compromissos com a vida, não com infindáveis e vazias discussões sobre métodos abortivos e que defendem a morte! Gestores que assumam posições e decidam de forma concreta, priorizando os que mais sofrem e não os que mais podem reclamar.
Chega de darmos tanto poder a um ridículo mosquito!

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