30 de mai. de 2008

ESPERANÇA E ILUSÃO

Bom Dia!

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou ontem a pesquisa com embriões humanos no país. O Brasil agora é o 26. país no mundo a usar as vidas que estavam congeladas no desenvolvimento de experimentos que, teoricamente, irão causar a cura de diversas moléstias. Em toda a América Latina somos o primeiro país a fazê-lo.
Não sou adivinho e nem acredito em mágicas. Mas posso dizer-lhes que a mídia irá divulgar, quase que diariamente casos e mais casos de pacientes que recuperaram 1% disso ou daquilo, graças à fantástica pesquisa com embriões. Óbvio que tais "reportagens" não trarão dois aspectos importantes ao seu conhecimento: primeiro, as consequências do uso desta terapia e que gera a necessidade de fármacos (remédios, no popular) que até então o doente não precisava tomar; segundo, que o ganho obtido está absolutamente dentro do esperado pelo uso de placebo ou mesmo pela vontade do paciente, sem nenhuma possibilidade de vinculação (cientificamente falando) ao uso dos embriões. Tudo isto nos será ocultado. Porque interesses comerciais passam agora a se fazer presente: indústrias farmacêuticas querem associar suas marcas às pesquisas, pois querem vender os remédios necessários à aplicação da terapia; indústrias de equipamentos querem o assunto na mídia, porque avaliam (com razão) que se abriu um novo nicho de venda de máquinas; pesquisadores passam a contar com novos fundos e outros incentivos ao seu trabalho, de forma geral, bastante compensadores. Enfim, toda a parte técnica e comercial ganha.
Você sentiu falta de alguém nesta lista? Ou acredita que eu esqueci do paciente? Não, não o esqueci. Acontece que eu não consigo achar, em canto nenhum, um estudo sério, com significância estatística, com resultados expressivos e numa amostra populacional confiável, que demonstre os inúmeros benefícios alegados pelos que defenderam a liberação das pesquisas. Onde estarão?
Encontramos, em toda a internet, diversos portadores de moléstias graves manifestando sua alegria pela liberação do STF. Falando de suas esperanças. Eles não estão delirando, pois foram levado à ilusão da cura pela mídia, pelos pesquisadores e por todos os donos de espaço público que criaram neles a sensação de que, ao usar o embrião humano, a ciência alcançará o estágio divino: curar o que não tem cura! E agora? Continuarão a ser iludidos. Pois da sua esperança depende a venda de fármacos.
A esperança é algo mais profundo que a ilusão. Ela repousa no fundo de nossas almas e está associada aos nossos projetos e desejos mais fortes. As ilusões estão ligadas aos sentidos, são superificiais e facilmente manipuladas se baixamos a guarda. A mídia brasileira conseguiu, no caso do uso de embriões humanos, fazer com que os pacientes não mais separassem suas esperanças pessoais das ilusões que o mercado queria, e conseguiu, criar.
A morte ganhou este "round". Mas, como diz um cineasta em um clássico do cinema: a vida sempre encontra um jeito de superar a morte. Cabe agora aos cidadãos brasileiros reforçar as trincheiras contra o próximo extermínio anunciado: o aborto.

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