Boa Noite!
“O consumo de um medicamento sempre implica risco”.
(Maria José Delgado – ANVISA, no GLOBO de 25.08.2008)
Após mais de três anos de discussões, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) está prestes a divulgar resolução que trata do marketing das indústrias farmacêuticas no país. Ela pretende regulamentar o verdadeiro exagero de se contratar atores e atrizes famosas para, com sua credibilidade pessoal, levar aos telespectadores a sensação de “cura milagrosa” por parte de um remédio.
Não se trata de cerceamento e nem de se interferir na área da propaganda. O que não se pode mais tolerar é a repetição de formas, nas quais a figura pessoal vale mais do que as informações necessárias ao consumo da droga que se deseja vender.
Os fármacos são aliados importantes na cura dos pacientes, mas não podem se tornar os eixos principais das intervenções. O conhecimento técnico da equipe que intervém no processo de sofrimento do paciente é a principal arma no combate às enfermidades. Sobrepor os remédios àquela intervenção, ou dar-lhes um lugar privilegiado na relação médico-paciente, constitui-se no maior equívoco que herdamos dos grandes avanços conceituais experimentados pela Saúde no Século XX.
Deve ser preocupação de todas as organizações que atuam na saúde coletiva, seja esta pública ou privada, dar a dimensão e importância devidas ao que é forma e o que é conteúdo na questão da gestão de cuidados.
A identificação, o mapeamento das necessidades atuais de cada grupo familiar exposto a um grau de sofrimento, e as conseqüentes e imediatas ações de restauração e/ou prevenção são os pilares da atuação de um sistema de saúde. Estas são tecnologias não materializadas, mas de comprovada efetividade.
Os remédios são ferramentas complementares e assim devem ser apresentadas ao público consumidor. Eles têm, sim, como o afirmou a representante da ANVISA, efeitos colaterais que expõem os pacientes a riscos. E Risco é sempre algo a ser evitado, todas as vezes em que for possível fazê-lo.
A regulamentação da propaganda não deve ser combatida e nem criticada pela indústria farmacêutica. Antes, deve ser saudada como instrumento diferenciador da empresa detentora de qualidade em relação àquelas que possuem um registro comercial e fabril, nada mais agregando ao sistema de saúde além disto.
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