Boa Noite!
Alguns modismos são recorrentes. Eles surgem num determinado momento vivido pela sociedade e é explicado por diversos dos pensadores de plantão, como atrelados a este fato ou aquele. Decorridos anos, ou às vezes décadas, e com a sociedade completamente mudada (tanto para melhor como para pior), a moda ressurge e aí, bem, temos que nos deparar com outras explicações dos eternos “cérebros pensantes”.
Em muitas organizações de saúde, privadas, somos testemunhas de repetições de atitudes e gestos, dos seus proprietários, que são piores do que modas: se constituem em verdadeiros suicídios empresariais.
Este preâmbulo é necessário para falarmos de duas “modas” gerenciais que, infelizmente, voltaram à tona. Como não tenho percebido uma maior franqueza dos nossos pensadores ao falar sobre elas, atrevo-me a fazê-lo.
Começo pela moda do TACAPE. Para os incautos ou aqueles que faltaram no dia em que o professor discorreu sobre as tribos indígenas, o tacape era o agradável instrumento usado pelos aborígenas para esmagar ou amassar, ou ambas as coisas, os seus adversários. Claro que os índios apenas os usavam na defesa de sua sobrevivência. Não havendo registro de que algum cacique tenha manejado o tacape para intimidar seus índios subordinados, ou mesmo para demonstrar um poder maior do que tem, ou ainda para ocultar sua própria incompetência. Os historiadores nunca detectaram traços deste perfil... nos índios!
Porém, nas empresas, o tacape rola solto! Ele é usado para silenciar os técnicos, quando ousam falar verdades que não querem ser ouvidas. Também serve para eliminar os que pensam de maneira diferente dos caciques. A estratégia tacape não resolve os problemas da organização, mas é bem capaz de deixá-los escondidos, sob uma falsa manta de profissionalismo, até que um próximo cacique tenha a coragem de desentocá-los e enfrentá-los (se ainda der tempo). O tacapista intimida, persegue e consegue expulsar a grande maioria dos bons índios, mas não deve ser capaz de fazer naufragar a aldeia inteira. Ele é transitório, pois como confia apenas no seu tacape, no dia em que o esconderem dele, coitado, ficará completamente perdido e sem saber o que fazer.
Já a estratégia GAVETA tem uma outra conotação. Ela não requer truculência e sim, omissão graduada. Explico-me: ao invés de decidir, ou porque não sei bem do que se trata, ou porque não sei bem o que faço, ou porque faço o que quero e não sei o bem que isto não fará à empresa, o poderoso de plantão simplesmente joga em sua gaveta todos os projetos, propostas e trabalhos de suas equipes.
É a famosa PTR (Pasta que o Tempo Resolve). O insigne chefe vai acumulando nas suas gavetas os processos, projetos e afins, na doce ilusão de que, com o tempo, o subordinado relega, o seu gestor desiste ou o cliente esquece. O problema maior é que nenhum destes três pensa assim.
Para os dirigentes-gaveta, seus subordinados desenvolvem um temor ritual (enquanto ele estiver naquela cadeira, fazem de conta que o respeitam, depois...). Seus gestores adiam os projetos e se comportam como caramujos enquanto a maré passa por cima (atolam-se na lama, agüentam todas as sujeiras, mas sobrevivem). Mas os clientes, ah! estes não temem, não se comportam e nem esquecem!
Perdem a credibilidade na empresa e buscam outra empresa. E para não ver isto acontecer, o gestor gaveta retira dela, ou de seu baú o tacape e, agitando-o, tenta fazer o mundo real encaixar-se no seu sonho (ou pesadelo). O problema é que tanto o mundo real, como nossos clientes se incomodam com a gaveta, mas não temem em nada o tacape ou o barulho de quem o porta: sempre haverá um concorrente de plantão!
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