Boa Tarde!
O título acima até parece integrar um folheto destes que circulam em campanhas salariais, distribuídos pelos sindicalistas de plantão. Mas, absolutamente, não é o caso. Em verdade, gostaria de partilhar com vocês uma reflexão de alguém que considero muito especial para a Medicina, em todos os tempos:
"A nossa natureza é o maior médico das nossas doenças" (Hipócrates).
É ele mesmo, o pai da Medicina. O sábio grego que soube observar melhor o ser humano com a finalidade maior de dar-lhe melhor condição de vida, uma saúde estável pelo equilíbrio do nosso corpo. Hipócrates afirmava que a reação do organismo se dava independentemente da atuação de quaisquer outras forças e atores, mesmo o médico. Ele examinava e acompanhava seus pacientes pela individualidade de cada um deles e, por isso, tanto fez pela nascedoura ciência.
Que pena que os ensinamentos e verdades deixadas por Hipócrates estejam tão esquecidas em nossos dias atuais.
Deparamo-nos com toda uma parafernália de equipamentos, vendidos por uma mídia altamente tendenciosa e destinados a nos mostrar que, dentro em pouco, já não precisaremos de nenhum ser humano para acompanhar a nossa saúde: ela será quse que automatizada por completo! Quanta bobagem! Mas que perigosa bobagem!
Ela aposta num ser humano que já não tem mais tempo para si mesmo, seus entes queridos e menos ainda para seus amigos. O homem do século XXI faz discursos de respeito aos outros e sequer tem tempo de vê-los! Diz defender a vida e desenvolve mecanismos que facilitam sua destruição a todos os habitantes do planeta. Querem nos assegurar a importância das novas tecnologias para a saúde da população e não conseguimos registrar um crescimento sequer dos indicadores básicos de saúde, apenas dos gastos... Quem está enganado a quem?
Vejam o caso dos leitos hospitalares. Em nosso estado, Rio de Janeiro, eles já representam mais de 30% dos leitos totais dos hospitais (UTI/USI). São mais equipamentos de monitoramento e médicos e técnicos que estão ligados aos monitores, do que propriamente, técnicos que possam olhar o paciente e acompanhá-lo, ouvi-lo, acolhê-lo em suas necessidades mais emergentes.
Os compradores de serviço incentivaram a remuneração destes leitos de alta complexidade e, agora, percebem a armadilha que ajudaram a criar: gasta-se mais, incopora-se mais, obtendo-se em troca menos qualidade de vida, menor parcela de população curada, mais problemas entre compradores e prestadores de serviço.
Não que os intensivistas não possuam competência e conhecimento técnico, muito pelo contrário! O problema é que a sua forma de intervenção se dá num nível tão extremo que pouco se pode esperar, do ponto de vista de melhoria de indicadores, das suas ações e atuação.
Possuímos mais máquinas em nosso setor de saúde suplementar, mas não possuímos melhores resultados em saúde. Demos a nossa população a doce ilusão da automação, enquanto o sábio Hipócrates já nos alertava para o pecado da vaidade neste campo tão difícil da Medicina. Será que ao invés de comprarmos mais equipamentos, não teria chegado a horar de comprar mais livros de Hipócrates... E lê-los?
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