30 de set. de 2008

O EFEITO HAIDER

Boa Noite!

“Paz em nosso tempo!”. Com estas palavras, o primeiro-ministro britânico Chamberlain saudou os súditos de sua majestade que se amontoavam no aeroporto de Londres, naquele chuvoso dia de 1938. Pretendia o fleumático político haver conseguido o fim da tensão na Europa, provocada pelas reivindicações nazistas de mais território (Lebensraum), através do silêncio. Isto porque, em fato inédito na história universal, duas nações independentes (Alemanha e Inglaterra), com a aquiescência de outras duas (França e Itália), decidiam e repartiam o território de um país autônomo - a Tchecoslováquia ! A questão dos Sudetos, como ficaria conhecida, foi “solucionada” pelo criminoso silêncio da , então, potência colonial inglesa !
Sob a égide de não se interferir na autonomia alemã, permitia-se o desaparecimento da soberania do povo checo. Para não se afrontar o governo alemão, calaram-se os países denominados democratas. Sabedores do perigo trazido pelo nazi-fascismo, seus “oponentes” acreditaram que o tempo se encarregaria de acalmar o ditador Hitler. O silêncio asseguraria a PAZ, como se uma ditadura não entendesse ser, a omissão, o que realmente ela é: prova cabal de nossa covardia! Mas, por que resgatar-se a História ? Em que ela serve aos “nossos tempos”?
A retomada do poder pela direita nazista, na Áustria, é algo preocupante, em especial quando nos deparamos com um percentual de votação em torno dos 30% dos eleitores. A aliança entre os dois partidos fascistas pode dar início a uma reação em cadeia lamentável sob todos os aspectos, e que traga de volta ao centro do poder mundial, estas incansáveis viúvas de Hitler.
A atenção da opinião pública não pode ir se dirigindo a outros temas, os ânimos esmorecendo e o silêncio imperando! Os inimigos da democracia se alimentam do silêncio obsequioso, para implantar lenta e continuamente seus pegajosos tentáculos. O mesmo comportamento omisso assumido pelas nações diante das exigências de Hitler toma novamente vulto e nos leva a indagar: quando recomeçarão as perseguições às minorias, aos judeus, às religiões, teremos outra atitude? Quando se retomar o extermínio de pessoas, de forma sistemática e cruel, adotaremos outra postura ? Ou será que, novamente, rigorosamente nada será feito?
Como o nosso povo, que tem sua força e beleza na miscigenação das raças, sua cultura como resultado de tantas culturas, pode conviver com grupos de “skinheads” nazistas, agredindo pessoas, violando sepulturas judias e pregando segregação racial em nosso país ? Como se explica o crescimento de produtora de vídeos e livros fundada pelo Sr. Siegfried E. Castan que se diz “revisionista”, e cujos textos divulgam o anti-semitismo , o ódio racial e outras “pérolas” da espécie?
Qual o papel que nosso líderes estão desempenhando neste momento crucial? O nazismo alimentou-se da crise econômica gerada a partir do Tratado de Versalhes, e buscou no anti-semitismo histórico já existente o combustível para manter tal chama acesa por, longos, doze anos (1933-1945). E a crise econômica mundial de nossos dias, por acaso produz injustiças diferentes?
O nazismo retornou na Áustria. Mais retraidamente o fascismo retoma lugar no Poder Legislativo italiano (com a bisneta de Mussolini). A internet é assolada por inúmeros sites pregando a violência e a segregação, o ataque às minorias e às religiões. Parece-nos caber uma pergunta : o que nós, autodenominados democratas, estamos fazendo a respeito ? Que ações efetivas estamos tomando, quer de conscientização, quer de enfrentamento de tão perigosas distorções ?
O momento é de profunda reflexão, mas também de ação . É de posicionamentos firmes e públicos, fundados em coerência e respaldados historicamente, sem porém intransigências ou radicalismos inconseqüentes. Urge que os setores organizados da sociedade externem e multipliquem seus pontos de vista, para que seja minado, no nascedouro, este monstrengo cruel e impiedoso que é o nazismo. Certamente não será esta a postura mais fácil, e nunca o foi. Porém, sua alternativa é a acomodação, a passividade, o silêncio, o eterno esperar e ver o que acontece. O preço da omissão, contudo, será uma eterna espada de Dâmocles pairando sobre nossas cabeças!

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