10 de out. de 2008

CONTRADIÇÕES CONTRADITÓRIAS!

Boa Noite!

O título acima parece redundância, e é! Propositadamente desejo provocar em todos um forte movimento de reflexão sobre as “contradições” da hora:

1. Os médicos estão preocupados com o alto índice de adolescentes grávidas, com idade inferior a 15 anos. Este número no país alcançou 70 meninas para cada 1.000, o que representa mais de 100% do parâmetro tido pelos doutores como “aceitável”.
2. As doações de órgãos estão ladeira abaixo e as listas de espera, elevador acima. O último exemplo foi a campanha fracassada de captação de doadores de Medula Óssea no Distrito Federal, em comemoração ao Dia Mundial de Doação para este tipo de transplante (06 de outubro).

Por que chamo estas situações de “contradições”?
Ora, toda a imprensa registra, diuturnamente, a questão do sexo livre e desenfreado, porém feito de forma “segura”, ou seja com camisinha, como a máxima expressão de “liberdade” da mulher e pleno domínio do seu corpo. Os repórteres se atropelam em buscar médicos, psicólogos e outros profissionais de Saúde, que em troca de seus quinze minutos de fama, derramam declarações e idéias a respeito deste “avanço”. Ora, o jovem, em especial o adolescente, é rebelde quanto às normas, pois deseja mudar o mundo que recebeu pronto, querendo sempre melhorá-lo. Se os “entendidos” já dizem que o sexo é sinônimo de liberdade, e não o amor ao próximo, por que não antecipá-lo? E se a promiscuidade significa “aproveitar o momento”, para que a preocupação quando não houver “segurança” (ou seja, camisinha) disponível?
É muito triste ouvir uma jovem de 14 anos dizendo que “tudo acabou para ela depois que o neném nasceu: bonecas, brincadeiras, etc”. Esta sensação de prisão não será em nada positiva para a criança que nasceu por vontade livre e socialmente induzida dos pais. Ah! Outros modernistas defenderão o aborto, para se “livrar do problema”. A vida, por acaso, é um problema? A falta de coragem de assumir a defesa ética da vida e da responsabilidade para com os outros está levando a esta tragédia sanitária e social.
Na situação das doações, por sua vez , surge outra “moda” atual: o cada um se vire por si, ou em outras palavras, o egoísmo globalizado. Aos jovens, aos executivos de início de carreira e aos profissionais titubeantes, é insinuado, repetidas vezes como numa lavagem cerebral, a retórica de que vencedor é sinônimo de individualismo. Se alguém chega sozinho a um lugar de destaque, usufruirá sozinho. Além da bobagem da vitória individual, que não acontece nem no esporte mais solitário que eu conheço, o xadrez, a armadilha oculta está na quebra da solidariedade para com seus semelhantes.
Competição não pode ser sinônimo de destruição dos demais. Ela deve estar atrelada a superação de nossas próprias limitações, permitindo-nos crescer, obter resultados e ser exemplo a ser seguido ou imitado por outros.
Como podemos esperar doações, ou seja, dar aquilo que o outro gostaria de receber, se sequer estamos mostrando aos nossos jovens a importância de viver, trabalhar e partilhar com a comunidade?
Sobre tudo isto, gostaria de deixar-lhes esta frase de ANDRÉ GIDE:
“A posse completa só se experimenta por meio da doação, tudo o que somos incapazes de dar nos possui”. Está na hora de revermos tantas “modernidades”!

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