Boa Noite!
Comemora-se hoje, 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental. A Organização Mundial de Saúde (OMS) está lançando um programa em Genebra, voltado para este importante segmento sanitário, onde a meta é que todo desvalido e marginalizado tenha seus direitos contemplados. Que todo sujeito com problema, independentemente de cor, classe e diagnóstico, tenha direito à liberdade, ao respeito e à dignidade que façam dele um semelhante, apenas diferente. Quem pode ser contra tais propósitos?
A estimativa da OMS é que 25% da população adulta demandará algum tipo de cuidado de saúde mental até o final de 2010. “A magnitude dessa realidade provoca enorme descompasso entre demanda e disponibilidade de serviços, mesmo nos países desenvolvidos e requer que examinemos as intervenções atualmente praticadas.” Esta afirmação vale tanto para pontuarmos a importância da discussão como para levantarmos a questão das alternativas terapêuticas à internação psiquiátrica.
A criação dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) permitiram a desospitalização de diversos enfermos, possibilitando retomarem o convívio familiar,mantendo-se as atividades terapêuticas de suporte.
O grande questionamento é sobre a cronificação dos pacientes nas opções terapêuticas que foram criadas para... descronificá-los! A evolução destas propostas terapêuticas tem se dado em passos lentos. Não se pode esquecer da complexidade da mente humana e das enormes dificuldades enfrentadas pelos profissionais deste campo. Mas é um fato que não surgiram marcos significativos na saúde mental do país, após a reforma sanitária do século passado.
O pior é que estão ressurgindo velhas discrepâncias. Médicos psiquiatras e psicólogos discutem entre si, donos de hospitais reacendem velhas posturas e, neste fogo cruzado, o paciente de saúde mental e seus familiares esperam, esperam e sofrem. Com toda franqueza, ficou difícil uma comemoração.
Continuar a elogiar estratégias que já caminham para 30 anos de implantação soa muito mais com a ausência de evolução do que como defesa do que se avançou. A sociedade não é mais a mesma, nem as suas necessidades. O grau de isolamento e sofrimento humanos nunca foram tão extremados.
Por que não conseguimos construir outras pontes?
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