Boa Noite!
O Laboratório Farmacêutico SAFONI-AVENTIS informa no jornal O GLOBO, de 18.11.2008, que resolveu atender às recomendações da Agência EUROPÉIA de Medicamentos e está retirando “em caráter preventivo”, a medicação chamada comercialmente de ACOMPLIA® pois os seus “benefícios... não mais superam seus riscos”. Também a ANVISA determinou esta suspensão (não era preventiva?) e o referido laboratório recomenda aos pacientes que dela fazem uso que procurem seus médicos.
Esta medicação foi lançada há dois anos como sendo o “comprimido antibarriga”, ou seja, uma pílula capaz de embelezar o ser humano e livrar-nos daqueles incômodos e sempre indesejáveis “pneuzinhos”.
Acontece que embora a indústria farmacêutica lembre que o risco de eventos adversos psiquiátricos estivessem descritos na bula, ela esqueceu de informar que o número de casos confirmados na Europa chegou a 36.000 episódios, representando 5% de todos os pacientes que consumiram este medicamento no mundo!
A determinação da Agência Européia saiu no começo de Outubro e, mais de um mês depois, aliás, segundo a VEJA de 05.11.2008, um polpudo mês de vendas para a droga, ela é suspensa em nosso país.
Óbvio que as indústrias farmacêuticas possuem incontáveis argumentos de defesa. Também não podemos esquecer a inculturação de nosso povo que, ao receber uma notícia tão grave, tão séria, corre às farmácias para comprar o estoque restante com a última receita prescrita pelo médico. Os sintomas depressivos não acontecem ON LINE e, assim, somente após um certo tempo poderão ser diagnosticados aqui em nosso país. Logo, juntando tudo isto, o mal à saúde já está feito.
As medicações são ferramentas necessárias ao sistema de saúde, se usadas como tal: complementos usados no limite da capacidade médica de prescrever tratamentos menos agressivos. Medicamentos são drogas legalizadas, cujos riscos certos são assumidos pelas autoridades sanitárias e pelos médicos em função dos benefícios já efetivamente comprovados.
Acontece que a maior parte das pesquisas da principal agência reguladora de medicamentos do mundo, a americana FDA (Food and Drugs Administration), provém dos... laboratórios farmacêuticos! Onde está a responsabilidade estatal? Como se pode julgar com absoluta imparcialidade quem te paga os salários, ou financia teus principais projetos de pesquisa?
Quantos discursos e ataques ouvimos de parta à parte, dentre os principais atores do nosso sistema de saúde suplementar, que nada agregam de qualidade aos nossos clientes, e quanto silêncio, omissão imperdoável, em relação aos temas de importância estratégica para todos!
Até quando canetas bonitas, brindes caprichados, agendas luxuosas e outros tipos de ofertas irão atrair mais a atenção de tantos profissionais, do que o estudo e cuidado na leitura das pesquisas, bulas e, principalmente, as contra-indicações das drogas que prescrevem? Existem pesquisas que mostram ser, o gasto com este tipo de marketing (sic), a maior parcela nos custos de fabricação dos medicamentos aqui no Brasil (60%), enquanto toda a produção chega a apenas 20% dos gastos. É uma contradição, no mínimo, ou um sinal do que estão fazendo com nossas doenças os grandes laboratórios. Não está na hora do bom senso?
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