Boa Noite!
Existe um ditado popular no Nordeste brasileiro que diz, mais ou menos, assim: “É mais fácil tomar conta de bicho do que de gente”, buscando expressar a dificuldade de se conduzir equipes ou grupos de pessoas. Para a crendice popular, os animais irracionais não pensam e isto torna tudo mais fácil de se resolver. Também eles não disputam entre si espaços dos vizinhos, contentando-se em reconhecer um líder (em geral o mais forte) e deixando-se guiar por ele.
Não pretendo analisar e nem contrapor a valiosa sabedoria popular. Mas gostaria de estabelecer uma diferença que julgo vital entre liderar ou conduzir pessoas.
Quando um gestor estabelece para si a tarefa de liderar pessoas, ele implicitamente assume alguns compromissos inderrogáveis e intransferíveis:
- as metas são importantes e vitais para a empresa, mas o limite é a Ética e o Respeito aos Indivíduos;
- as equipes não são entes impessoais, desprovidos de necessidades humanas ou que se conduzam como se fossem autômatos. Pessoas exigem pessoas para serem seus líderes;
- os líderes FORMAM as pessoas, em todos os aspectos do conceito de formação: pessoalmente, corrigindo-lhes firme e fraternalmente os equívocos; profissionalmente, combatendo duramente os desvios e as teimosias; e na esfera da competência gerencial, treinando-os sempre e continuamente, quer em sala-de-aula, quer no próprio serviço.
- os líderes forçam as capacidades individuais e coletivas para que suas equipes desenvolvam o hábito do pensar estratégico, fugindo da mecanicidade que é míope, ou da acomodação pela repetição, que é burra.
- a liderança prima pela justiça, ainda que muitas vezes esta opção faça um líder de verdade sentir-se sozinho ou mesmo pouco compreendido. Não importa. A liderança vê além do hoje, e por isso ela se separa por completo da mediocridade, que não consegue se libertar do passado.
O papel daquele que apenas conduz suas equipes é mais simples, porém muito mais pobre: ele exige o cumprimento das metas, seja a que custo for e não importa por quais caminhos ela se alcance; os resultados dos relatórios são os pontos vitais, pois as pessoas são substituíveis; a formação é importante nos momentos de ociosidade, e se não impactarem os números das despesas administrativas de suas organizações; o que importa é o hoje, o agora, o futuro... sabe-se lá! Quem conduz equipes pode até posar de bom garoto, mas apenas como parte de uma estratégia de subjugação dos seus subordinados.
Quem lidera não teme a competência de seus pares, nem a existência de potencialidades iguais ou maiores que as suas. O Líder vê o todo, e usa as partes em função do potencial e características individuais.
O condutor se preocupa com a imagem que julga possuir. Por isso é comum alternar momentos “bonzinhos” com outros onde esquece tudo em função do número a ser batido. O condutor é avassalador, destrutor, impetuoso. O Líder possui consistência, credibilidade, coerência nas exigências e na partição das vitórias.
Ser condutor possui uma maior tentação: o imediatismo e a total falta de compromisso com seus subordinados.Ser líder exige tolerância à frustração, persistência e firmeza de atuação. Dá mais trabalho, às vezes mais tristezas, mas, com absoluta certeza a melhor tranqüilidade de consciência. Esta é, para mim, a única opção de quem realmente deseja ser gestor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário