Boa Tarde!
Além da questão essencial, em minha opinião não observada pela ANS, do Modelo de Saúde, sobressaltam outras lacunas que poderiam ter sido supridas com oferta de diferenciais às operadoras que deles se ocupassem, como forma de incentivar o cliente a efetuar a migração.
Vejamos as principais:
A. Gestão da Rede de Prestadores de Serviços: a agência está desenvolvendo um modelo de configuração de rede que leva em conta diversos aspectos, tais como necessidades em Saúde, acesso geográfico e assistencial, dentre outros. Porém, a Portabilidade não vinculou de forma concreta estes dois aspectos, sob a lógica da operadora. Ou seja, esta poderá negociar redes distintas para produtos distintos, como forma de assegurar sua viabilidade financeira. Ora, qual a garantia que esta diferenciação se transformará em qualificação do mercado de prestadores de serviço? Nenhuma. Ao contrário, corremos sério risco, se esta questão parar por aqui, de vermos a punição às empresas que investiram em acreditação, qualidade e outros programas destinados a agregar valor ao serviço prestado.
B. Valorização das Operadoras que desenvolvem ações assistenciais ou programas de saúde/gerenciamento do risco: mais uma norma que sai, criando uma nova situação para todo o mercado e, novamente, o programa de qualificação cujos indicadores foram festivamente divulgados pela ANS é solenemente esquecido. Qual o diferencial para as operadoras que buscaram desenvolver ações assistenciais? E aquelas que investem expressivas parcelas de capital em programas de saúde? Qual a motivação para se ampliar medidas voltadas ao gerenciamento do risco, via de mão dupla quando falamos de qualidade em Saúde? Será que a agência realmente acredita no programa de qualificação que ela mesmo desenvolveu e implantou? Se a resposta é positiva, e acreditamos que seja, por que o ignora em todas as oportunidades que possui de valorizá-lo???
C. Preços diferenciados para produtos diferenciados: poderíamos ter uma flexibilização na questão dos preços das operadoras de destino, desde que estas oferecessem ações em Saúde. Teríamos assim, para o consumidor uma medida que protege efetivamente sua saúde e não apenas paga suas diárias num local de luxo onde vai adoecer com "conforto"; por outro lado, para as operadoras seria um sinalizador concreto de que vale a pena rever seus conceitos e superar a triste ilusão do "managed care". Mais uma vez a forma de tratamento é meramente financeira e não será premiada a criatividade e ousadia, ao contrário, foram mais uma vez prejudicadas.
A portabilidade, pois, veio para causar um novo momento no mercado de saúde suplementar, mas como vem acontecendo há algum tempo, a ANS desperdiçou a oportunidade de trazer uma nova forma de olhar e gerenciar a Saúde em nosso país. Que pena! Com novos discursos não mudamos velhos costumes, e sim com novos hábitos e novas atitudes.
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