11 de mar. de 2009

CINTURA DE PILÃO

Boa Noite!

“Vem cá cintura fina, cintura de pilão, cintura de menina, vem cá meu coração!”

Estes versos foram imortalizados na voz pessoal e marcante do cantor Luiz Gonzaga, um dos maiores divulgadores das tradições, costumes e cultura nordestinas. Eles davam um destaque todo especial, e bastante em voga àquela época (décadas de 50 e 60), à beleza apresentada pelas mulheres de... cintura fina! Bom, vaidades à parte, e respectivas preferências, a questão da cintura fina voltou à tona associada a uma discussão atual, crescente e preocupante na saúde coletiva: a obesidade.
O aumento das reservas de gordura no corpo, para além das quantidades necessárias ao seu funcionamento e defesa, implicando em riscos e doenças que podem levar à morte, é uma das mais sucintas definições do que seja a OBESIDADE.
Ela está associada principalmente a fatores culturais e alimentares e, por isso, encontra-se em franca ascendência nos países ditos desenvolvidos. A geração coca-cola, ou fast-food, ou on-line, tem se mexido e praticado exercícios cada vez menos, tornando-se obesa cada vez mais.
É neste foco que gostaria de destacar a questão da cintura e do acúmulo de gordura nesta região. Durante muitos anos a preocupação central no controle da obesidade esteve relacionada ao acompanhamento do IMC (ou índice de massa corporal). Este indicador, que é resultado da divisão do peso de uma pessoa pelo quadrado de sua altura, expressa uma relação que devidamente tabelada levou, por muitos anos, os médicos e demais técnicos da saúde a focarem sua gestão de cuidados em pacientes com IMC igual ou superior a 30 (obesidade).
Porém, há algum tempo, a ciência detectou que situações existem onde apenas esta relação não caracteriza um problema de obesidade (por exemplo em atletas com massa muscular bem desenvolvida), ou pior, mascaram outros problemas em pessoas com IMC abaixo de 30.
Daí a identificação e atual preocupação com a chamada OBESIDADE CENTRAL (ou popularmente, a circunferência da cintura). A concentração de gordura na cintura que atinge principalmente os homens (a famosa barriga de maça), está diretamente relacionada ao surgimento de agravos cardiológicos e da mortalidade nestes pacientes.
A circunferência absoluta (>102 cm para homens e >88 cm para mulheres) e o índice cintura-quadril (>0.9 para homens e >0.85 para mulheres) são, ambos, utilizados como medidas da obesidade central. Esta situação é mais do que alarmante, em especial quando percebemos seu surgimento dentre as crianças e adolescentes.

"A obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos no Brasil, acusa a nutricionista Sylvia Elisabeth Sanner, de São Paulo. Entre as principais consequências, ela cita aumento de casos de diabetes e problemas cardiovasculares, além do aumento dos níveis de colesterol e triglicérides. De acordo com o médico-nutricionista Fábio Ancona Lopez, vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, a obesidade infantil já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras. Independente das cifras, o médico argentino Júlio Ribeiro afirma, categórico, que a obesidade é uma das piores aquisições da civilização” (Fonte: http://boasaude.uol.com.br)

Esta questão de saúde não é objeto de ações concretas por parte das operadoras de saúde que continuam se omitindo em discutirem seus futuros e os de seus clientes. Por outro lado, apenas ações curativas dissociadas à reeducação alimentar familiar e escolar, tampouco serão capazes de reverter a curva de crescimento desta catástrofe contemporânea.
Por isso, dá-lhe cintura fina! O pilão é um instrumento usado na cozinha, para moer ingredientes culinários e que possui duas pontas bem cheias e o meio bem fino. A cintura fina, hoje, não é mais beleza e nem apenas vaidade, e sim uma necessidade em Saúde.

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