12 de mar. de 2009

O PIOR JÁ PASSOU...

Boa Noite!

Em todos estes anos como administrador, nas áreas financeira e saúde, mudei completamente a minha percepção acerca desta frase, que uso como título hoje e que foi proferida ontem pelo Sr. Presidente da República. Ele, o Grande Irmão, se referia a sua mais recente avaliação da crise mundial.
Explico-me: ao ser questionado acerca do enorme tombo que tomou a economia brasileira no último trimestre de 2008, queda de 3,6%, o ilustre político, que já havia chamado a crise de “marolinha”, agora trata-a como coisa pertencente ao passado.
E aí eu fui pensar no que significa “o pior já passou”. Descobri que, mais uma vez, nosso Presidente comete dois equívocos:
1. A crise não passou. Ela está sendo combatida de forma séria, e diria mesmo ousada, por países que projetam melhor seus reflexos do que o nosso, e temem que a armadilha do consumo que vêm montando há décadas, caia-lhe agora em suas cabeças. Por isso, os governos não temem torrar suas reservas para manter empregos, evitar um depressão econômica e o surgimento de golpistas políticos tão comuns nestes instantes. Infelizmente, em nosso país, toda a “marolinha” tem sido sustentada, basicamente, pela legislação de fiscalização e controle bancário criada pelo então Presidente FHC, nos idos anos 90. Medidas efetivas e estruturais do governo, tímidas e muito localizadas.
2. O que é o pior para ele, pode não ser para nós. E aí gostaria de me deter no setor saúde suplementar. É de ficar estarrecido como os gestores estratégicos, público e privados, estão omissos na discussão da crise da Saúde, e dos reflexos diretos e indiretos que a falta de crédito trará, agora e depois para tão combalido setor nacional. Poucas foram as iniciativas e superficiais as análises.
A concentração que já é um fato concreto aumenta, e o desenvolvimento de especializações e competências continua solenemente ignorado. A guerra por preços persiste e tudo continua, como se tudo estivesse igual a antes.
Este é o grande problema da nova frase do Grande Irmão: pior em que referência? Com base em que parâmetros?
Dizer que o desemprego cresceu “apenas” 1 ou 2% parece ser bem pouco para leitores e ouvintes incautos ou desatentos, exceto para os milhares de trabalhadores e pais de família que estão inseridos neste percentual.
Nossos líderes continuam a querer vencer a crise com seus retóricos e retumbantes discursos. Nesta altura do campeonato, a falta de decisões e ações é tão grande que só nos resta rezar para que os líderes mundiais que estão trabalhando com afinco no seu combate acertem e, ao fazê-lo, aliviem a enorme omissão que rola em nosso país.

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