7 de mar. de 2009

O EVENTO VIOLÊNCIA E O ABORTO

Boa Noite!

Como se já não bastasse a enorme quantidade de dados conflitantes que se espalha pela mídia acerca do aborto, tema difícil e complexo, e que na maioria das vezes usa de falsas simplificações para “explicá-lo”, agora nós vamos ter que agüentar nosso Ministro da Saúde polemizando com os religiosos.
“A Igreja tem sua opinião, a Saúde trabalha pela defesa da vida e das pessoas” (Jornal O GLOBO, de 06.03.09, página 12). Estas palavras do Ministro Temporão, que realmente gosta de estar na mídia, abrem uma nova postura do maior gestor estratégico (quanto ao posto ocupado) da Saúde em nosso país.
O Ministro atacava a decisão de um bispo católico acerca do estupro e indução ao aborto de uma menina de 9 anos pelo padrasto, ou seja, por aquele homem trazido à casa por sua mãe natural. O religioso católico excomungou os médicos e a polêmica já estaria implantada sem a brilhante contribuição do Ministro televisivo. Mas ele não resiste.
Numa semana marcada pela triste constatação de que as UPA’s, unidades que não cuidam da atenção primária, nem da secundária, não são emergências e, agora, nem mesmo seus criadores sabem o que fazer delas, seria de se estranhar a omissão do gestor da Saúde Pública sobre o assunto. Mas ele silencia, ou fala sobre algo que não lhe diz respeito!
Certo ou errado, o bispo irá prestar contas ao líder da Igreja, que já demonstrou ter a coragem suficiente para assumir decisões ou revê-las à luz de argumentos sólidos, prestados por pessoas que mantém sua coerência. É uma discussão de Igreja a excomunhão, e não do Sr. Ministro da Saúde. Aliás, o que pensa o Sr. Ministro sobre a violência cometida contra a menor?
“Fiquei impactado com os eventos”(reportagem acima citada).
O Ministro Temporão ficou “impactado”, ou seja, estarrecido, afetado, surpreso. Notem que não existe um verbo de ação! Nada!
Será que nosso Ministério da Saúde já contabilizou quanto conseguiu evitar de contaminação ao distribuir mais de CEM MILHÕES de camisinhas no carnaval e incentivar a promiscuidade como arma de defesa contra a AIDS? Ainda que exatamente a promiscuidade esteja em todas as pesquisas sobre AIDS como uma das principais causas de sua propagação?
Quanto foi efetiva a campanha que desembolsou mais de UM MILHÃO DE REAIS para comprar gel lubrificante usado nas relações homossexuais, sob a alegação de que assim se estaria incentivando o uso do preservativo e, apesar da promiscuidade, evitar-se a contaminação?
Qual a ação efetiva para se resgatar o trabalho de promoção à saúde, e as estruturas do SUS que estão caindo aos pedaços pelo orçamento ínfimo que o Sr. Ministro considera o possível?
Ontem, o Sr. Ministro Temporão ditava como o Presidente dos Estados Unidos devia fazer para resolver o problema de saúde americano: implantar o SUS lá!
Hoje, ele chama a violência de evento, o aborto de medida de saúde e abre uma polêmica sobre a ação do bispo, ao invés de medidas que se evitem a crescente violência contra crianças e mulheres neste país.
Transferir as responsabilidades próprias para outros, parecer ser uma tônica destes últimos seis anos em nosso país. Dizer que não sabe o que aconteceu transformou-se em princípio de conduta para muitas autoridades. Brinca-se com a vida, despreza-se a nossa inteligência, condena-se à morte um modelo de saúde que tinha tudo para dar certo. Onde iremos parar?

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