Bom Dia!
Nestes tempos de gripe, que por vezes nos afasta de atividades que tanto prezamos, acabamos por ouvir mais noticiários do que necessitamos. E aí, não se tem como fugir, por exemplo, da enorme expectativa que está causando o anúncio (não oficial) de que o Mr. Obama estará anunciando seu "pacote de Saúde" agora em Junho ou Julho.
O Sistema de Saúde americano está falido, segundo palavras do próprio Michel Porter (Repensando a Saúde), e não conseguirá sair desta situação se não gerar um produto que agregue valor ao cliente, na percepção deste último. Por isso, remodelar o sistema passou a ser quase que uma obsessão estatal desde o governo Clinton, e até mesmo o desastrado reinado do Bush Filho.
Obama incluiu esta questão, durante sua vitoriosa campanha, e ela passou a ser uma das centenas de promessas que fez ao povo americano, e que gerou uma expectativa tão grande a ponto de termos hoje um site para acompanhá-las. Porém, as opiniões dos articulistas sobre as possíveis alterantivas trazidas pelo candidato é que preocupam.
O Plano para a Saúde do Mr. Obama estaria sendo desenvolvido sob a lógica que ele tem adotado até agora: populismo, jogo para a platéia e poucas mudanças estruturais e de conteúdo que sirvam de base a uma melhoria futura da sociedade americana e mundial. Foi assim com a pesquisa de células-tronco, ou o descarte de embriões humanos, da mesma forma quando agradou a poderosa indústria farmacêutica com as camisinhas, e a prisão de Guantanamo que deixou de existir no discurso, mas continua no mundo real.
Obama fala de incluir um maior número de americanos, em troca da redução de médicos generalistas, ou seja, ampliando-se a oferta de especialistas, e com a redução de coberturas que hoje podem ser autorizadas caso-a-caso ainda que por pessoas não inclusas no sistema.
As medidas certamente darão um certo fôlego financeiro ao sistema e a (falsa) impressão de que a crise passou. Isto pode até garantir ao primeiro presidente negro americano a inédita reeleição de um negor num dos países mais racistas do mundo. Mas, será que ele se ilude de que resolve a causa do problema?
O presidente americano parece ser genuinamente um homem simpático e carismático. Mas comete um grande erro administrativo: quer recuperar a auto-estima dos americanos com medidas populistas, que "agradem" aos incautos. Restringir a presença e importância do médico generalista, que até agora foi mal usado e que teve seu papel distorcido no sistema de saúde dos EUA não é definitivamente a solução do problema.
Obama está optando por empurrar com a barriga a discussão central: não há como assegurar a longevidade de um sistema se a base disto tudo repousa num modelo de saúde superado e sem resultados (o famoso MANAGED CARE).
Esta oportunidade, de reformar com alta popularidade e credibilidade, pode não voltar a acontecer ao Obama. E oportunidades não se repõem com gracejos ou trocas de afagos com outros "caras". Obama envereda por um caminho sem volta: o populismo a todo custo. Ainda dá tempo de voltar, mas, será que ele quer?
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