Boa Noite!
Diversas mudanças têm sofrido os ambientes de trabalho, sejam elas decorrentes dos avanços da medicina ocupacional, sejam resultantes de interações nem sempre saudáveis havidas entre empregadores e empregados. As alterações no mobiliário já estão bastante estudadas pela ergonomia e buscam propiciar alterações que tornem menos agressivas as longas jornadas de trabalho a que se submetem os trabalhadores brasileiros.
Mas existem alterações necessárias e ainda solenemente ignoradas pelos que dirigem as organizações. Falo daquelas mudanças que deveriam resultar de um dos mais perigosos e novos agravos aos trabalhadores: a frustração profissional.
Quando aceitamos ou somos aprovados em um processo seletivo para uma empresa, em geral criamos uma grande (e perigosa) imagem abstrata da futura organização, que nos impulsiona de forma imperceptível a uma expectativa grande e, infelizmente na maioria das vezes, infundada.
O choque com a realidade do lugar onde começamos a trabalhar só não é maior do que a triste constatação de que aquela equipe alegra e aparentemente unidade com que somos recebidos nos primeiros dias, ou é contratada fora, ou simplesmente não existe.
Esta frustração causa estragos profundos, nos lugares mais longínquos de nossos cérebros e está na causa, quase sempre, de determinados comportamentos que não se explicam à luz dos conhecimentos técnicos e de mercado que estes indivíduos apresentam.
Aquele que poderia ser um grande e comprometido técnico, um gestor quase que completo ou um profissional indispensável a uma equipe vencedora, transforma-se silenciosamente num arrastador de correntes: reclama, não tem velocidade, baixa energia, um número na multidão e não um agregador à equipe.
Infelizmente os técnicos em saúde ocupacional continuam preocupados com seus discursos que os tornam quase iguais às lideranças sindicais, e que invariavelmente não resultam em melhorias para os funcionários. Mensuram danos físicos, que nem sempre possuem o nexo causal necessário para se condenar uma estrutura ou empresa, enquanto esquecem dos danos não físicos que se tornam futuros castigos para o resto das vidas daqueles que lhes permitem crescer em seus íntimos.
Talvez seja o momento mais que oportuno para nós esquecermos um pouco das bandeiras sindicalistas e cuidar mais da frustração que as organizações causam em novos empregados, podando-lhes, mais do que uma satisfação no emprego, uma carreira vitoriosa e brilhante no mercado em que teve oportunidade de exercê-la.
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