9 de jul. de 2009

AS CAPAS DE NOSSA VIDA

Boa Noite!

Uma das histórias que sempre me deixou emocionado na Bíblia foi a do cego Bartimeu. Curado por Cristo ele assume um novo comportamento, jogando fora tudo o que associava ao "antigo" homem que era. O narrador católico nos trouxe a imagem de uma capa jogada fora, e os relatos arqueológicos nos dão conta da importância que tinha para o povo de então desta peça do seu vestuário: a capa servia de local de repouso no deserto frio à noite e tórrido durante o dia. Protegia também o viajante contra as tempestades de areia, era-lhe quase que uma couraça, algo como uma outra pele sobre a sua.
Portanto, perder a sua capa poderia significar para aqueles que trabalhavam no deserto algo como sua própria condenação à morte, ao frio, ao desolador lugar dos que se sentem derrotados.
Quando o curado joga fora sua capa, muda sua vida, ou quebra de forma radical os velhos e viciados paradigmas, ele renasce para uma nova etapa em sua vida, sem culpas, sem medos, sem ódios.
Que pena não usarmos tantos e valiosos ensinamentos e exemplos em nossas vidas! Quantos de nós se perdem nas loucas estradas desta sociedade moderna, por não querermos jogar fora as incontáveis capas que costumamos incorporar, sem desejá-las, apenas por serem "moderninhas".
A força da vida não está nas práticas e crenças que adotamos apenas por querermos estar integrados em grupos, às vezes desconhecidos e estranhos, que cruzam nossos caminhos. A verdadeira força de quem pretende caminhar adiante repousa na paz interior, no sereno e cândido encontro da criatura - nós, seres humanos, com seu Criador - o Pai, a essência e fonte de um Amor que não se acaba.
As capas que vamos colocando sobre nossos ombros, ao contrário daquela usada no deserto, não nos protege contra as ameaças - são elas próprias as verdadeiras ameaças!
Quando nos transformamos em seres meramente consumistas - porque nos parece chique estar falando de viagens, roupas, festas e outras futilidades, não como momentos isolados de diversão ou lazer, mas como a própria razão do nosso trabalho.
Quando nos entregamos ao culto do corpo, não pela busca do equilíbrio e saúde que permitam o espírito crescer, mas pela escravidão imposta pela redução de nossa existência e mensuração de nosso valor por um critério vazio de qualquer outra referência que não corpos e rostos bem definidos.
Tudo isto vai dar numa rua sem saída: a perda do valor da vida! Ela nada mais se torna do que algo descartável como tudo o mais. Por isso, joguemos foras nossas capas! Enchamo-nos do Espírito de Deus, pela prática diária, pela perseverança, pela fidelidade, pelo amor.
A essência do ser humano está no valor que sua alma possui, no brilho divino que conseguir repassar aos que o cercam, em especial aqueles mais necessitados, fisica e espiritualmente falando. O resto são camadas de sujeira que o mundo sai pregando em nossas vidas, formando capas que nos condenam à solidão, ao desamor e à morte. Fora com elas!

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