Bom Dia!
Ontem à tarde, uma grande emissora de televisão anunciou por diversas vezes, com chamadas recheadas da dramaticidade que somente a mídia consegue dar a quaisquer notícias, uma reportagem acerca da Obesidade, seus riscos e alternativas de tratamento.
Sem nenhuma supresa de minha parte, no momento da apresentação de tão "bombástica" matéria, o foco e principal tema era... a Cirurgia Bariátrica!
Claro, esta é a maneira pela qual os programas conseguem que profissionais abram mão de suas agendas sempre tão lotadas e fiquem quase que uma tarde inteira à disposição destas redes, para participarem de 15 minutos de fama. Falando sobre procedimentos, as televisões propagam os cirurgiões e abrem-lhes importantes espaços de procura de novos clientes. Até aí tudo normal, pois é esta a lógica do capitalismo: não existe almoço grátis...
Mas quando o tema é Saúde, ao menos neste, deveria ser prioritário falar-se do cuidado, da educação alimentar, das boas práticas de vida que impedissem ou evitassem a realização desta intervenção, tão perigosa e de altíssimo risco aos pacientes.
Por que isto não ocorre?
Porque a mídia inculturou em suas grades de programação a violência e os extremos como as melhores ferramentas de se elevar o IBOPE e, por consequeência, ganhar patrocinadores. Esta guerra silenciosa por televisores ligados, que muitos pensam tratar-se de ficção, já ultrapassou em muito as raias da loucura, tornando-se um completo no sense via satélite.
Tiros para um lado, cirurgias para o outro, e nós, meros pacientes no meio de toda esta confusão!
É óbvio que a cirurgia bariátrica pode vir a se constituir na intervenção final sobre um tratamento de alguém com obesidade mórbida. Mas até para se ter certeza do sucesso desta indicação, faz-se necessária uma intervenção interdisciplinar, sistemática e contínua sobre tais pacientes, vítimas de uma das patologias de maior sofrimento pessoal e social.
O que os programas vespertinos querem são pautas que preencham suas lacunas de mexericos e fofocas, bizarrices ou violências, e procuram-na ocupá-las com temas relacionados à Saúde, pelo interesse que despertam. Não estaria na hora dos profissionais sérios começarem a recusar aqueles convites que apenas desejem focar no procedimento, esquecendo a Saúde?
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