Bom Dia!
Notícia veiculada hoje pela Saúde Business Web trata da inauguração pela Rede D'Or (Rio de Janeiro) da criação de um Centro de Obesidade Mórbida dentro da unidade hospitalar de maior complexidade que possui naquele Estado. São investimentos, segundo o informativo citado, que alcançam R$ 600 mil e que antecipam a vinda de um outro centro médico dentro do hospital, voltado aos pacientes oncológicos e previsto para 2010.
Aparentemente estamos tratando de aproveitamento de espaços ociosos dentro do hospital que, para manter sua rentabilidade projetada e esperada pelos empresários, não pode conviver com áreas sem uso. Em verdade, a questão é mais ampla e complexa. Ela trata da total incapacidade das operadoras de saúde em hierarquizar suas redes de serviços contratadas, pressuposto e necessidade vital à ordenação do acesso por resolutividade e qualidade.
Quando as empresas de saúde se organizam, investem seus capitais próprios, elas esperam que a parte compradora seja capaz de diferenciá-las a partir de critérios mais objetivos e que foquem a racionalidade do consumo de recursos e não apenas a racionalização. Mas o que fazem a grande maioria das operadoras? Insistem na racionalização e no pensamento curto, imediato, quase que descompromissado com o futuro de seus produtos e com a satisfação de suas populações assistidas.
A referida rede hospitalar, que já se expandiu para o Nordeste com unidades em Pernambuco, mostra-nos claramente que seu projeto estratégico é ocupar os espaços que a concorrência e/ou as operadoras estão deixando para trás, vazios e mal gerenciados. E enquanto empresa comercial, com necessidade de retorno, ela está absolutamente correta em sua estratégia. Porém, para nós, gestores de saúde, a criação de complexos hospitalares que agrupem (se mantidas a qualidade e a resolutividade anteriores), uma totalidade de serviços num único lugar vai de encontro às estratégias de hierarquização tão necessárias a um sistema de saúde coletivo (público ou privado).
A iniciativa e senso de oportunidade da Rede D'Or parece ser coerente e atual. Embora nunca seja possível prever as reações que advém do setor de saúde suplementar (o mercado é sempre o mercado), fica claro que neste jogo chamado gestão efetiva da rede de serviços, nós operadoras perdemos mais um gol.
Nenhum comentário:
Postar um comentário