18 de out. de 2009

EDUCAÇÃO E TECNIFICAÇÃO

Boa Noite!
Neste momento de vacas magras, as empresas têm optado por adiar maiores investimentos na capacitação de seus quadros, preferindo realizar eventos isolados e focados mais no campo técnico operacional. Para isto conseguem multiplicadores também especializados na visão pontual das matérias que são objeto dos treinamentos e adiam a discussão acerca do investimento na formação de seus quadros.
Por trás da questão financeira e orçamentária está algo um tanto quanto esquecida de muitos: formamos ou tornamos aptos de maneira técnica nossos funcionários? Existe diferença entre formação e tecnificação?
A tecnificação centraliza suas atenções e prioridades na apreensão do MODUS OPERANDI por parte dos treinandos. Sua ênfase se dá naquilo que se está demonstrando, na operação, na prática, enfim no conjunto de informações, demonstrações e explicações que descrevem o produto ou a técnica objeto do evento. Ela considera o homem importante para a obtenção do fim, ou seja, de certa forma, torna-o MEIO para se alcançar determinado objetivo estratégico da corporação.
Por isso, eventos tecnicistas não admitem discussão, nem sequer apresentação de sugestões que aprimorem o que se demonstra. O treinando é mero agente passivo, pois o centro é o produto, o meio é o agente humano.
Já quando falamos sobre o processo educacional deslocamos o centro do sistema para o treinando. Ele é o objetivo principal da capacitação. Mudá-lo implicará em mudar o meio ambiente onde está inserido e, por esta nova postura, alcançar-se-á o objetivo estratégico pretendido. Portanto, o ser humano é o agente das mudanças e seu principal fim. Um treinamento educacional busca a adesão dos corações e mentes dos treinandos.
Formar o homem é que importa, este é o centro do processo, por ele é que a organização alcança um estado melhor do ponto de vista do mercado, de sua solidez e da longevidade desejada. Assim, o processo aprendizagem não pode existir sem a efetiva participação do treinando. Este é mais do que convidado, ele é incentivado a opinar construtivamente acerca do produto, que desta forma deverá se tornar mais rico e qualificado.
O MARKET SHARE final, dessa forma, passa pela sensação do trabalhador de que é parte efetiva na organização para a qual está prestando seus valiosos serviços. Empresas vencedoras em geral formam seus líderes, não os transformam em meros operadores de terminais. Colocar uma estação, um micro computador numa mesa, em frente a um empregado não deveria mais ser confundido com a disseminação ou avanço tecnológico de uma organização. Não é a máquina que traz a informação e, principalmente, a formação da pessoa. É o acesso que se favorece, aí sim, usando inclusive a máquina.
Existem empresas e empresas. Existem educadores e meros multiplicadores. Para quem deseja profissionais em seus quadros fica a orientação de que busque sempre educadores. Figurantes de treinamentos já existem à exaustão em nosso país. Agentes educacionais merecem não apenas oportunidades, mas remuneração que assegure a fidelidade a sua organização.

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