Boa Tarde!
Revi em um canal de televisão fechado o antigo filme chamado “Meu nome é Rádio”, que aborda um drama real vivido por um professor e treinador americano para incluir um jovem possuidor de retardo mental na escola em que lecionava (correspondente ao Ensino Médio brasileiro).
Com o apoio desconfiado de uns e o explícito desdém de outros, o professor vai enfrentando seus próprios fantasmas e o isolamento de todos os que lidam e defendem o direito de inclusão das pessoas com deficiência, até que consegue com um gesto extremo (óbvio, no final da película), dobrar os corações e em especial a mente de todos.
À época da filmagem, por volta do final dos anos 80, o motivador da história que tinha como apelido Rádio (James Edward Kennedy), ainda era vivo e atuante no time de futebol americano anteriormente treinado por seu mentor e protetor.
O que fica para nós é a questão da inclusão. De como ela é tratada com serenidade e firmeza pelo educador, sem protecionismos e sem paternalismos. O deficiente não deve ser colocado numa redoma de vidro, ou ter todos os seus atos “compreendidos”, como se suas limitações o tornassem acima do bem e do mal. Ao contrário, dando-lhe responsabilidades crescentes, porém sempre conjugadas ao respeito aos seus direitos naturais, as pessoas com deficiência podem e devem se integrar ao processo produtivo de uma nação contribuindo, menos para um eventual aumento de sua produtividade industrial, e sempre mais para que não nos esqueçamos da função social da propriedade privada e do crescimento sustentável.
Estranho tempo este nosso: a interação produziu em todos os habitantes do planeta Terra (e é positivo que o tenha feito) uma maior preocupação com as reservas naturais não renováveis; para com os animais em extinção; para com as florestas e matas que tão covardemente são massacradas na silenciosa omissão daqueles que são eleitos, também, para protegê-las. Mas em nada, ou quase nada, a globalização trouxe o ser humano para o centro das atenções e a vida para a coluna principal dos direitos a serem defendidos.
Ora, se não cuidamos das crianças e dos fetos, como poderemos afirmar que estamos cuidando bem dos que possuem deficiência? Esta luta ainda é solitária e efetuada em especial por aqueles que possuem pessoas assim em sua família. Desde que o nazismo resolveu exterminar os fetos (se oriundos de judeus) e os deficientes (pois consumiam e não produziam), a sociedade resolveu chocar-se com as histórias de terror que surgem, mas ignorá-los solenemente no seu dia-a-dia.
Rádio venceu por sua imensa vontade pessoal. Mas a oportunidade lhe foi dada pela perseverança do seu educador, amigo e verdadeiro irmão. Se olharmos em nossa volta, bastaríamos ser o educador para um único portador de deficiência e o mundo deles e o nosso seria melhor. Por que não experimentar?
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