24 de out. de 2009

NÃO É A MAMÃE!

Boa Tarde!
Existia uma personagem de uma série, exibida na televisão nos anos 80, personificando um filhote de dinossauro que não conseguia falar mais nada a não ser: “Não é a mamãe!”. Em especial para o seu pai (dinossauro, também), e geralmente após ter aprontado alguma. Ficou famoso naquela época e virou costume entre os jovens, quando se desejava não ficar calado após alguma bobagem simplesmente repetir este bordão.
Pois bem, lembrei-me dele bastante esta semana, em especial após a lamentável e desastrosa entrevista concedida pelo Senhor Presidente da República ao jornal “Folha de São Paulo”, onde expressamente declarou que em busca de votos (e portanto de poder), Jesus se voltasse ao Brasil faria aliança até com Judas Iscariotes.
Lamentei por três aspectos a reportagem, e não apenas a deplorável frase proferida pelo maior servidor público brasileiro e aquele em que deveríamos todos nós nos espelhar quanto ao exemplo de dignidade e integridade. Deveríamos, mas não o podemos fazê-lo:
PRIMEIRO, porque toda a entrevista é um cabedel de arrogância e prepotência, onde o ex-metalúrgico e ex-líder dos trabalhadores do ABC paulista, demonstra quanto se travestiu de poder, acreditando-se hoje estar acima do bem e do mal e, parece-me, pensando ser eterno o poder, mesmo dos ditadores, o que ainda não é o seu caso.
SEGUNDO, porque deixa bastante transparente a metodologia de busca do poder adotada por ele e seus pares: vale tudo, qualquer coisa deve ser feita em busca dos votos, mesmo que esta coisa seja uma aliança com qualquer tipo de gente, retratado por ele na figura traiçoeira e egoísta do Judas Iscariotes. Se há poder, deixa-nos a impressão as tristes palavras presidenciais, então não existem limites para se alcançá-lo. O poder se justificaria simplesmente pelo poder. Já houve na História Geral quem adotasse esta prática. As seqüelas e dores deixadas por eles persistem ainda hoje nas famílias sobreviventes ao Holocausto.
TERCEIRO, porque retoma a tese que os petistas vem martelando há muito tempo da relativização da Ética. O poder se explica per si, e a ética não poderia impedir alguém de alcançá-lo. Acontece que a Ética não se modifica, nem se relativiza. Ela é um conjunto de padrões e atitudes que sobrepõem sempre o coletivo às aspirações individualistas e egoístas.
O poder é um meio de se modificar a sociedade para o alcance do bem comum. A ditadura é o poder exercido sob a visão e de acordo com as prioridades de um único ser, ou de um grupelho enclausurado no comando do Estado. Jesus não faria aliança com Judas, pois jamais teve o poder como objetivo individual, ou aspirou ao poder pelo poder. Também ele não trairia seus princípios e valores em busca de mandatos. Portanto, ao contrário do que erroneamente falou o Senhor Lula, não é Jesus quem faz aliança com qualquer um em busca de votos, ou de aumento de poder, ou de silêncio nos testemunhos, ou de negativas à instalação de CPI’s, ou de...

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