Bom dia!
A descentralização é um dos pressupostos básicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas também ela possui a mesma importância para quaisquer sistemas privados que, realmente, objetivem a longevidade pela maior resolutividade em saúde e com maior qualidade de vida para seus participantes.
Porém, a descentralização requer um maior controle estratégico, seja ele por parte dos financiadores, mas em especial por seus usuários. A idéia do Controle Social, assim, vai muito além da participação democrática ou da escolha de prioridades. Ela deve representar a efetiva assunção, pelo sistema, de um pacto inquebrantável com seus clientes (ou usuários, ou participantes, ou seja lá o nome que se queira usar).
Ao organizar e dar autonomia aos seus órgãos de controle social, o sistema de saúde assegura a renovação e oxigenação que somente um processo calcado na competência técnica e na transparência das relações pode garantir àqueles que se constituem sua principal razão de ser.
Por isso o controle social deveria ser o mais amplo possível, mas o menos partidário. Seu grau de envolvimento político deveris ser inversamente proporcional ao vínculo que os representantes escolhidos possuíssem com as lideranças partidárias da área onde exercita sua abrangência.
Esta deve ser a vontade dos gestores com visão sistêmica e com compromisso numa saúde integral. Mais ainda, este deve ser a imagem-objeto (como também a define o ilustre Professor Vilaça) no que tange à necessidade de um controle social atuante e autônomo nos sistemas de saúde coletivos.
Mas, ele é possível? Ele existe mesmo?
Quanto à possibilidade nenhuma dúvida: os cidadãos anseiam por discutir suas necessidades e idéias de sistema sanitário, mesmo que com conhecimentos restritos ou desvios quanto a sua concepção, importância e organização. Esta última situação é mais um fator motivador (ou deveris ser) para os que dirigem os destinos do sistema, do que razões para se desacreditar da estratégia de controle pelos clientes.
Mas quanto à existência... Bem, nosso país saiu da ditadura em 1987, mas a ditadura não saiu de dentro de nós, lideranças e liderados. Falamos acerca da democracia, mas tendemos sempre a nos comportar como déspotas.
Externalizamos a importância do controle social para logo corrermos a desenvolver normas e mecanismos de legá-los a uma insignificante posição dentro do sistema. Afinal, acreditamos ou não na estratégia?
E quando os gestores se omitem das instâncias de controle social, os partidos invadem os espaços vazios, manipulando, desvirtuando e instrumentalizando-os. Depois só nos restará o embate partidário e pouco construtivo.
É nossa omissão que empobrece o controle social. Da mesma forma que nossa miopia impede-nos de reconhecer sua importância. Mas a pior atitude é a covardia de deixá-lo transformar-se numa mera tribuna de reclamações e ataques para atacá-lo e fazê-lo menor do que deve ser para a longevidade do nosso sistema de saúde.
Precisamos assumir nossa responsabilidade para com esta importante instância, de preferência antes que venhamos a lamentar-nos não o ter feito enquanto ainda podíamos falar e viabilizar o modelo de saúde coletiva que é o SUS.
Nenhum comentário:
Postar um comentário