28 de jan. de 2010

CORAGEM DE MANTER O QUE É CERTO

Boa Noite!


Os jornais noticiam hoje uma importante conquista da saúde coletiva brasileira para os pacientes portadores do vírus HIV: o governo conseguiu obter uma redução de gastos da ordem de R$ 118 milhões de reais na questão dos retrovirais como conseqüência da quebra de patentes.

Vale a pena lembrar: o então Ministro José Serra decidiu mudar a estratégia governamental perante a então intocável (e todo-poderosa) indústria farmacêutica. Chamou-a para uma negociação de preços mais justos, algo perfeitamente possível e conhecido por todos os que são gestores no segmento da Saúde Pública e Privada. O então Ministro e atual Governador de São Paulo afirmou em público, reiteradas vezes, que o intuito não era a quebra de patentes, mas o equilíbrio entre os ganhos da indústria e a possibilidade de se ampliar o atendimento aos pacientes aidéticos que um justo preço propiciaria.

A indústria farmacêutica despreza os gestores de saúde, sejam eles públicos ou privados. Porém, deveria ter entendido que nunca é uma boa opção se comprar briga com o Governo, pois a chave do cofre sempre acaba na mão dele.

Serra quebrou diversas patentes e iniciou o processo de fabricação. O Governo Lula acertadamente manteve a mesma estratégia, ainda que tenha diminuído a velocidade das negociações. Esta acertada opção permitiu o expressivo resultado obtido e divulgado hoje. Óbvio que o total de recursos necessários é bem maior do que a redução divulgada. Claro que ainda existem diversas negociações a serem feitas. Tudo isto é verdade.

Mas a lógica anterior foi quebrada e isto é irreversível!

A indústria farmacêutica deve rever sua posição, ao menos com relação à saúde pública. Embora não existam medidas concretas de aproximação dela (indústria) com os financiadores privados, aos quais continua reservar uma arrogante postura, ela foi obrigada a rever suas estratégias de imposição de vontades ao Governo federal.

Que bom se esta vitória, decorrente da coragem do governo de manter o que se fez de correto na gestão do ministro Serra, pudesse convencer os gestores de que é muito melhor investir em capacitação negocial e profissional dos seus quadros, do que gastar montanhas de recursos públicos em campanhas que incentivam a promiscuidade e o descuido na questão sexual, irresponsável atitude que somente contribui para com o aumento dos infectados.

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