Boa Noite!
O Ministério da Saúde divulga portaria pela qual está banida, ao menos legalmente no país, a nefasta prática do vale-desconto para remédios distribuídos pelos consultórios "cadastrados". Nem ao menos ela começa a vigorar e já surgem os "defensores" dos mais fracos que argumentam ser um absurdo o final de tais "descontos", que conseguem reduzir em até 60% os preços nas farmácias, simplesmente pela apresentação de um pedaço de papel carimbado com o CRM do profissional que o entregou.
Mundo estranho este das indústrias farmacêuticas: estipula-se nas farmácias um preço que assegura rentabilidade e sobrevivência legal às empresas que fabricam fármacos. Entretanto, meramente pela indicação num papel de um médico cadastrado este preço sofre reduções de mais da metade do preço.
Qual o segredo para tal redução? Por que ela se condiciona ao pedaço de papel? Qual a razão para se excluírem os pobres mortais que não tem a sorte de bater à porta dum "cadastrado"?
Está certo o Ministério da Saúde e seus órgãos. Da mesma forma como a quebra da patente foi uma ação visionária e decorrente de uma excelente visão de futuro, banir-se a prática perniciosa de preços artificiais inflados ou reduzidos apenas para causar uma boa impressão é, sem dúvida, o primeiro passo para um dia sabermos afinal qual é o preço real (e justo) de comercialização de um remédio.
As indústrias farmacêuticas precisam definir qual o papel e o conceito que desejam ter perante os financiadores do setor de saúde suplementar: aquele que ensaiaram quando a crise parecia ser maior do que afinal foi, ou o outro que permanece arraigado na maioria das cabeças pensantes e que as associa à falta de vontade de negociar, ao estigma de não respeitarem os atores do setor e, principalmente, a de não se preocuparem com os clientes-pacientes de forma sanitária.
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