9 de mar. de 2010

PREVENÇÃO PELO AGIR

Bom Dia!



Uma importante pesquisa realizada nos Estados Unidos e divulgada no final da semana passada foi objeto de destaque nos grandes jornais de São Paulo e Rio de Janeiro: os cientistas comprovaram ao menos dois lugares nos quais o HIV se... esconde! Literalmente falando, o vírus da AIDS, em todas as suas mutações, consegue “perceber” a presença na corrente sanguínea das drogas que compõem o coquetel e foge delas assumindo um estado latente, refugiando-se na medula óssea e nas células nervosas “T” localizadas na região do cérebro. Após determinado tempo ou por conta de mecanismos ainda não identificados, mas agora possíveis de serem mapeados, eles reativam e retomam seu destruidor trabalho retornando à circulação da pessoa infectada.
O resultado que se espera é detectar as formas como ele se desliga temporariamente, enganando os remédios e o próprio organismo, bem como o que ele usa para se reativar. Um grande passo foi dado com esta pesquisa divulgada em 08 de março aqui no País.
É possível percebermos a dificuldade da ciência com relação às formas de prevenção e cura, com vírus tão mutável quanto perigoso. Daí poderíamos refletir acerca das formas de prevenção que se tem divulgado.
Atribuir-se ao preservativo um alto poder de preservar o seu usuário de tais vírus deve ser questionado. Sendo tão mutável, e tão rapidamente se adaptando para sobreviver, como podemos assumir que a promiscuidade sexual, desde que com a presença da camisinha, vem a ser um “sexo seguro”?

Não será chegada a hora de sentarmos à mesa, como gente grande deveria fazer, e rediscutir com as igrejas a posição de prevenção moral? É a promiscuidade com camisinha o caminho seguro, ou a rediscussão do comportamento sexual tornando-o de novo uma expressão de sentimentos, ao invés da bestialidade instintiva com o qual o revestiram?
Tantas críticas foram feitas aos corajosos alertas e pronunciamentos das lideranças católicas, em especial na África, que mereceriam, face às descobertas acima citadas, no mínimo um pedido de desculpas. Mas, como a ciência nunca se desculpa, nem mesmo nos seus erros mais grotescos, resta-nos esperar que a discussão acerca da prevenção ao HIV assuma, tal qual a descoberta feita, a complexa questão central do tema: um comportamento sexual normal.
Uma sociedade hedonista pode ser muito boa para aqueles que exploram a prostituição, a pornografia, o tráfico de mulheres, o comércio sexual de jovens e crianças e por aí vai. Mas ela vai de encontro ao respeito humano, aos valores que construíram e protegem a sociedade humana da autodestruição, e a um mínimo e coerente padrão de comportamento de todos os que entendem o sexo como um valor agregado ao amor e não apenas uma irracional expressão de impulsividade que tornam quase semelhantes seres humanos e bestas irracionais.

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