16 de abr. de 2010

A PORTABILIDADE E O SONHO

Boa Noite!


Hoje faz aniversário de criação a famosa política de Portabilidade criada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para quem não se recorda, ela foi apresentada à mídia como uma grande estratégia da agência que iria solucionar o problema de insatisfação dos clientes para com suas operadoras e de quebra traria um acirramento na concentração de carteiras, objetivo de há muito almejado pela referida ANS.
O público que poderia ser beneficiado pela medida em todo o Brasil poderia chegar a SETE MILHÕES de usuários, de um total de 52 milhões que possuem planos nas diversas operadoras de Saúde Suplementar, o que representa nada menos de quase 14% do total de beneficiários. Eram (e ainda são) números grandiosos, que provocaram uma corrida da mídia aos dirigentes da ANS, e estes, sempre solícitos às câmeras de TV prestaram-se a desfilar a totalidade de suas imensas expectativas, principalmente em como o Mercado estaria ‘diferente’ em um ano.
Bem, como falei na abertura, chegou a hora da verdade. Um ano depois, quais os números da portabilidade? Pífios ou ridículos, a escolha é sua.
Foram 1.074 pedidos de mudança, o que representa 0,0154% da projeção inicialmente efetuada pelos competentes gestores e reguladores brasileiros!
Vocês ouviram algum deles ir até as mesmas emissoras de televisão reconhecer as falácias de seus argumentos de um ano atrás?
Vocês ouviram algum deles reconhecer que faltou à norma uma motivação efetiva, real, como por exemplo, a oferta de programas de saúde, ao invés puramente de uma demagógica ‘vantagem financeira’?
Vocês acreditam que algum deles irá reacender mais este fracasso da agência? Provavelmente não.

Em especial numa semana em que a agência está para receber seu novo Presidente, e que muito se comenta no mercado que ele virá do segmento hospitalar, não haverá lembranças, mais ainda de tamanho desastre. A ANS jogou fora esta oportunidade, este foi o mote de nossa reflexão de um ano atrás. E agora abandona a discussão, tática corriqueira nestes tempos. Não seria o caso de reabri-la, buscando dotar a portabilidade de um diferencial REALMENTE voltado para a saúde da população?

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