19 de jun. de 2010

ESCRAVOS POR NATUREZA

Bom Dia!

Aristóteles foi, certamente, um dos principais filósofos gregos, daquela escola que participou de forma única e decisiva na formação do pensar humano, contriubuindo para que ele se descobrisse e percebesse os que estão a sua volta. A filosofia aristotélica prevaleceu por séculos e ainda hoje faz parte obrigatória de quaisquer cursos de Filosofia sérios que funcionem em qualquer parte do mundo.
Mas ele, Aristóteles, era um Homem. E como tal, seu acertos, inegáveis, não elimina e nem pode servir para se ocultar seus erros. E ele errou, muito, em diversos aspectos. Na minha opinião, de não conhecedor profundo da filosofia, o pior dos seus equívocos foi aquele que atribuiu, a determinados grupamentos humanos, por seu nascimento ou por seu desenvolvimento, a situação de "Escravos por Natureza".
O filósofo grego atribuia aos nativos (os índios como vulgarmente denominamos em nosso país), uma total falta de compreensão e desenvolvimento mental e principalmente intelectual, ao ponto de cosniderar justificáveis as ações que os tornassem "Escravos" daqueles culturalmente mais "desenvolvidos". Foi embasado nesta teoria aristptélica, por exemplo, que todos os governos colonizadores usaram de todos os recursos, inclusive o genocídio, para subjugar os povos nativos, humilhá-los e capturá-los como se fossem "coisas" não titulares e nem merecedoras de direitos pessoais ou coletivos.
A história da humanidade registra episódios lamentáveis produzidos pela adoção deste princípio aristotélico, ainda que também nos traga biografias de pessoas corajosas que enfrentaram os reis espanhóis, como os sacerdotes Padre Vitória e Padre Las Casas, denunciando e exigindo a criação de normas jurídicas de respeito aos habitantes de novas terras conquistadas para o Império.
Mas o objeto desta reflexão não é a atuação destacada dos padres católicos, e sim a situação em que os gestores visualizam seus comandados como se fossem escravos por natureza. Este equívoco está no fundamento das ditaduras ou dos gestores déspotas e causa, mais cedo ou mais tarde, um perigoso descompromisso das equipes para com as organizações, passo anterior á inevitável falência.
De outro lado, existem as pessoas que se querem transformar em escravos, ou seja os Escravos por Acomodação. Estas não querem pensar. Acham complicado qualquer pedido que fuja, por menor que seja, da rotina mecânica e, por isso mesmo, medíocre na qual sua acomodação lhe jogou. Normalmente ocupam posições na base da pirâmide funcional, abominam as discussões que busquem integrá-las às tarefas mais estratégicas da empresa, não estudam (e sempre com uma 'boa' razão) e tudo o que querem é ser esquecidas.
Os Escravos por opção, que é outra forma de percebermos os acomodados, são elementos perigosos nas organizações, especialmente pelo fantástico poder multiplicador que seus (vazios) discursos possuem. É comum encontrá-los em corredores, áreas contíguas aos banheiros ou no seu lugar preferido: a copa ou a mesa do café. Para estes, o gestor profissional tem que estar alerta, amarrando suas produções e evitando as tarefas que não agreguem valor à empresa e aos seus clientes.
Para estes eu desejaria ter Aristóteles se debruçado e, quem sabe, acertado na sua descrição e nos 'remédios' corretos a serem adotados. Como não os achei, até hoje, prefiro mantê-los no mercado de trabalho, trocando apenas de empresa: da minha para a concorrente principal!

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