17 de jun. de 2010

O FIM DA SAÚDE

Bom Dia!


A Folha de São Paulo de 16/06/2010 anunciou, em sua coluna “BOA NOTÍCIA”, que a UNIFESP estará inaugurando em breve um hospital TOTALMENTE FORMADO POR LEITOS DE UTI e voltado aos acidentes traumáticos. Ele irá se localizar na Vila Madalena, na futura Cidade Universitária e a novidade foi apresentada à Imprensa como algo que agregará valor à Saúde Suplementar do país. Será?

De fato, a especialização é algo que se instalou definitivamente no Setor Saúde, invadiu a cabeça dos profissionais que nele atuam e vem sendo vendida aos nossos clientes, há décadas, como a “grande solução” para seus problemas pessoais de saúde. Acontece que esta população, por enquanto, ainda é dócil às ‘verdades’ da Ciência, em especial aquelas que são prolatadas pelos homens vestidos de branco, possuidores da confiança (quase) total dos clientes-pacientes.

Mas usei de propósito o termo QUASE, para destacar que é perceptível a mudança do mercado consumidor. O acesso às informações da rede mundial de computadores quer sejam elas boas ou más, está promovendo uma silenciosa mudança de perfil neste público. O que os médicos não estão percebendo é que a situação de fragilidade que é vivenciada pelos enfermos, anteriormente fator de dependência total, agora está motivando tais pessoas a buscarem informação. Mesmo mantendo a relação de confiança, o grau de dependência está se modificando, mas os comportamentos médicos, não.

Apresentar um hospital totalmente formado por leitos de altíssima complexidade, aqueles cuja rentabilidade está associada à gravidade do quadro do cliente, como se fosse um avanço da Saúde, é de certa forma subestimar a capacidade do cliente em buscar (e achar) as respostas certas aos seus questionamentos. Quando ele começar a perceber que este lugar ‘maravilhoso’ não o atenderá nas suas crises respiratórias, por se tratarem de eventos de baixa rentabilidade e que não geram demanda por leitos, o Dr. Jekill pode muito bem se transformar em Mr. Hyde.

É lamentável que numa época de tantas carências, e na qual pouco temos o que comemorar em termos de avanço da saúde coletiva no mundo todo, a imprensa ainda se deixe levar por pacotes já prontos e quase sempre com uma visão monocular e não sistêmica dos reais problemas do Setor em nosso país.

Parece que estamos chegando ao fim da Saúde. Não mais pensá-la como um sistema e sim tratá-la como um supermercado, até parece ser o real objetivo de diversas matérias que lemos dia após dia, nesta imensa e direcionada imprensa pátria.

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