Bom Dia!
Sou da geração que pode contar nos dedos das mãos, sem usá-los todos, o número de vezes em que escolheu de forma livre e democrática o seu Presidente da República. Isto porque, com o Governo Militar as eleições se deram de maneira indireta, com o colégio eleitoral escolhendo o ocupante da Presidência. Não defendo esta forma de governo e nem entendo isto como uma escolha pessoal. Daí ela não gerar nenhum tipo de compromisso entre cidadãos e governo.
Por isso todos nós deveríamos estar felizes, independentemente de que foi nosso candidato, por mais um pleito presidencial no qual quase todos cumpriram á risca seus papéis:
O povo deu audiência aos debates, discutiu os aspectos que atraía ou não este ou aquele candidato, apoiou a Lei da Ficha Limpa contra todas as tentativas de dribá-la e esteve presente às urnas, apesar de tudo o que aconteceu fora delas.
A Justiça Eleitoral mais uma vez demonstrou competência e seriedade, resolvendo os problemas tecnológicos causados pela plataforma 'livre' chamada LINUX com tal rapidez que por volta das 20 horas toda a nação brasileira já sabia que teria uma mulher pela primeira vez na presidência da república.
O que faltou então?
Faltou respeito e civilidade no embate dos dois candidatos. Respeito humano, aos currículos de ambos e, principalmente, ao eleitor brasileiro. Foi uma sucessão de ataques e acusações de tal porte que muitos dos que não votaram atribuíram à falta de motivação causada por tantos ataques. Era como se tivéssemos de escolher entre um ruim e outro muito ruim, o que não pode ser o caso em absoluto.
Ninguém chega aonde os dois chegaram sem ter uma base, seja ela diretamente construída, seja por ter sido este pleito um plebiscito administrativo. A questão é que ambas as campanhas procuraram exaustivamente lançar ataques e desqualificar o oponente, como se o povo brasileiro possuísse apenas uma orelha, e não as duas que nos obrigaram a escutar todo o tipo de leviandades e falsidades.
O resultado? Um povo dividido. De um lado os 'lulistas', do outro os 'anti-lulistas'. Onde ficaram os 'brasilianistas'? Onde se localizaram aqueles que querem o bem do país e o crescimento com inclusão?
Até a candidata verde olhou para seu próprio interesse. Ao lavar as mãos, de forma idêntica a Pilatos, Marina deixou também claro que jogava mais 'combustível' no ventilador do segundo turno. O resultado é o que vemos.
Um país apático após o processo eleitoral. Uns declarando medo, outros destacando seu fanatismo e culto à personalidade. Não pode ser assim.
A Presidente Eleita é a governante de todos. Esperemos que ela tenha a estatura que o cargo requer. Mas em especial, esperemos que ela compreenda a necessidade de reconstruir as pontes que ambos os candidatos ajudaram a dinamitar. Um país não cresce com retórica. Ele precisa de competência e foco nos seus objetivos, e isso significa União Nacional.
Por enquanto, apenas uma certeza: a primeira mulher eleita presidente terá muito trabalho e a necessidade de gastar muita conversa para fazer com que todos os cidadãos se unam em torno dos interesses de nosso grande país.
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