Boa Noite!
Na Itália terá lugar amanhã, dia 14.05, um evento conduzido pela sociedade de odontologia totalmente voltado á prevenção do Câncer de Boca (http://www.oralcancerday.it/) . Os odontólogos italianos estão preocupados com os maiores fatores de risco associados a esta questão (fumo e álcool), mas especialmente com os traumas crônicos decorrentes de intervenções protéicas mal realizadas.
O conselheiro da Fundação Nacional dos Dentistas – Giovanni Evangelista, em entrevista concedida ao Corriere della Sera de hoje, afirma que “bastam poucos minutos para se identificar as lesões suspeitas (decorrentes da má prática) e diagnosticar precocemente as neoplasias”. Sabemos que quanto mais precoce a detecção, maior a possibilidade de cura. Daí o movimento deflagrado pelos italianos e que terá lugar em toda a Itália amanhã.
Podemos traçar um paralelo com nosso país? Infelizmente, dizem-nos os profissionais odontólogos, sim. Não existe um efetivo acompanhamento por parte dos Conselhos Regionais da qualificação e da qualidade de todos os serviços que funcionam oferecendo a Implantodontia. Aliás, a fiscalização que seria tão necessária é praticamente inexistente, quer pela falta de estrutura dos órgãos de classe, quer pela falência total de nossa Vigilância Sanitária.
Mas também podemos trazer à ribalta o fato de que, em nossa cultura atual de saúde coletiva, seja no modelo de atenção integral, seja no modelo de gerenciamento de riscos, os pacientes foram ‘desbocados’ pelos gestores do sistema.
Esquecemos solenemente de incluir as ações de prevenção e promoção à saúde bucal nas ações estratégicas das organizações de saúde, e mesmo no SUS transformamos o cuidado em meras intervenções curativas. O setor privado remunera de forma quase que fictícia, levando os profissionais que aceitam tais tabelas a simplesmente ignorarem ações preventivas ou delas se afastarem em busca de um mínimo de rentabilidade.
É preocupante a situação e assustadora a omissão. Os diversos profissionais sérios que conheço se dizem desestimulados em realizar tais ações, pela total falta de apoio em suas organizações e no sistema de saúde de uma forma geral. Dizer que inexistem recursos é uma excelente forma de se maquiar o pouco caso com que lidamos com a importância da saúde bucal para uma saúde integral do ser humano.
Os italianos estão preocupados com a elevação do risco das neoplasias bucais. E nós ainda convivemos com os desastrosos números de pacientes cariados e crianças desdentadas precocemente. Quando vamos acordar?
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