Boa Tarde!
A área de saúde mental é, certamente, uma das mais difíceis e complexas para os gestores de saúde. Aliada à imprecisão que ronda os diagnósticos médicos, quase sempre mutáveis e não definitivos, vivenciamos um momento na sociedade humana onde as corporações discursam sem cuidar dos seus talentos e das vidas sob sua responsabilidade.
Tanto se fala em empresa socialmente responsável, que começamos a associar a responsabilidade social a cuidar de tudo e de todos os seres que não sejam os... humanos!
O homem não é mais centro de preocupações efetivas, apenas surgindo perante os gestores estratégicos das empresas nos momentos agudos de sua vida, ou quando as metas não foram atingidas. Estamos esquecendo de nós mesmos, em prol de uma miscelânea de falas e discursos, travestidos de humanidade, mas que não resistem ao menor teste da mais ínfima necessidade de saúde do ser humano.
Por isso, lamentavelmente, começam a se tornar bem maior o número de transtornos relacionados ao trabalho. O que parecia ser um 'diferencial profissional' - ser chamado de WORKAHOLIC - transformou-se num lento e gradual processo obsessivo, capaz de levar brilhantes profissionais a situações extremas e quase sem volta de agravos mentais.
Está mais do que na hora de repensar a gestão dos quadros das empresas. Será que a existência de quantidade de mão de obra procurando emprego em número superior à de vagas permite tal desperdício de talentos? E de vidas humanas? E do equilíbrio mental dos nossos empregados?
Será que uma sociedade competitiva tem que significar o sacrifício daqueles que a ajudaram construir?
A sociedade precisa parar para pensar. As empresas precisam fazer contas, pois esta é sua linguagem: quanto tempo, recursos e análises se consomem na produção de um profissional competente? E quando o temos levamo-lo à exaustão ou ao desequilíbrio? É isso mesmo que queremos quando falamos de profissionalização?
Em números, as sociedades até podem estar mais ricas. Mas em transtornos estamos ficando rapidamente mais pobres. Está na hora de achar a fórmula de equilíbrio, antes que os talentos desapareçam na bruma que envolve a mediocridade.
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