Bom Dia!
Pesquisa realizada entre diversos eleitores brasileiros no último mês aponta, pela enésima vez, o descrédito, quase que total, da população brasileira para com suas lideranças políticas. O nível de desmotivação e descrença é tamanho que beira à irracionalidade: um número expressivo ainda acredita em fraudes eleitorais mesmo depois da urna eletrônica! Claro que esta última constatação é uma transferência da imagem dos nossos políticos para a instituição que cuida de nossos processos eleitorais. Devemos ter cautela em qualquer generalização, em especial nesta questão: a urna é uma ferramenta, não é um conteúdo.
E o conteúdo desta pesquisa trata da CREDIBILIDADE. Falamos de uma mercadoria de luxo, que deveria ser tratada com todo mimo e cuidado, não apenas pelos parlamentares, objeto da citada enquete, mas em especial pelas empresas em relação aos seus clientes. A credibilidade não resulta de vontade individual dos empresários, tampouco pode ser adquirida de um trabalho de consultoria das empresas existentes, por melhores que sejam! A credibilidade é um resultado construído ao longo de lapso temporal significativo, não curto e de difícil manutenção.
Aliás, vocês já pararam para pensar como uma mesma pessoa, brasileira, de classe média, parece ter duas personalidades quando a examinamos como ELEITORA E CLIENTE? Vejamos:
# Como CLIENTE, o brasileiro está cada vez mais buscando saber os seus direitos e os deveres dos seus fornecedores. Ele quer tê-los em sua plenitude e fiscaliza desde coisas básicas (como o funcionamento do aparelho de TV comprado), até coisas mais intangíveis ( como a Garantia dada pelo vendedor). O cliente quer serviços que prometam e cumpram suas promessas.
# E o ELEITOR? Sabe de seus direitos e da plenitude do exercício que é a eleição? Procura identificar candidatos não apenas por promessas múltiplas e sim pela coerência de fazê-las? Fiscaliza estas promessas após a eleição???
# O CLIENTE exige cada vez mais capacitação de quem oferece produtos e serviços, não apenas no cuidado com as questões de apresentação, linguagem e postura profissional, mas em especial pela resolutividade às suas necessidades, dúvidas e mesmo sugestões.
# E o ELEITOR? Procura saber acerca da capacitação profissional e, principalmente, ÉTICA dos candidatos? Verifica se sua linguagem está condizente, não com aspectos externos e meramente de conhecimento cultural, mas no respeito aos valores e à dignidade das pessoas que o elegem? Exige postura coerente com seus discursos de campanha e seu projeto de atuação parlamentar? Cobra dos eleitos a resolutividade dos problemas apontados e das promessas feitas para sua resolução??
Quando o cliente exige de todas as empresas atitudes coerentes, transparentes e éticas, ele não apenas exerce o seu direito de cidadania e de consumidor: ele faz com que o mercado se fiscalize e mova as engrenagens voltadas à qualificação dos seus produtos e ao expurgo dos deliquentes. A Ética é exercida de forma natural e exigida de forma convincente pela clientela. Nenhum setor de nosso país está hoje em dia imune a todas estas discussões! E nossos eleitores, como estão procedendo? Quem dera se nossos clientes levassem para as urnas e tempos pós-eleitorais, as atitudes, cobranças e acompanhamento que já manifestam hoje perante as empresas! Talvez não tivéssemos a quantidade de candidatos que temos hoje, mas teríamos melhores candidatos do que aqueles que já iniciaram o desfile anual pelos meios de comunicação!
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