3 de jun. de 2011

ÉTICA

Boa Tarde!

Na esteira de tantas entrevistas e reportagens sobre 'ausência de fatos novos' e 'inexistência de fatos incriminadores', deste último escândalo da República, achei oportuno revisitar este texto de JAMES P. LANFESTEY, chamado de "UMA PESCARIA INESQUECÍVEL":
"Ele tinha onze anos e a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava em meio a um lago. A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas Pai e Filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito da lua nascendo sobre o lago.
Quando o caniço vergou ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração enquanto o garoto habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca só era permitida na temporada.
O garoto e o pai olharam para o peixe tão bonito, as guelras movendo para trás e para frente.O pai então acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Pouco mais de dez da noite... Ainda faltavam quase duas horas para a abertura da temporada.
Em seguida olhou para o peixe e para o menino, dizendo:
- Você tem que devolvê-lo filho!
- Mas, papai, reclamou o menino.
- Vai aparecer outro, insistiu o pai.
- Não tão grande quanto este, choramingou o menino.

O Garoto olhou à volta do lago, não havia pescadores e nem embarcações à vista. Voltou novamente a olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto, sabia, pela firmeza da sua voz, que a decisão era inegociável.
Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura.
O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu.
Naquele momento, o menino teve certeza de que jamais pegaria um peixe tão grande quanto aquele. Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, aquele menino é um arquiteto bem-sucedido.
O chalé continua lá, na ilha no meio do lago, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais.
Sua intuição estava correta, nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite.
Porém, sempre vê o mesmo peixe quando se depara com uma questão ética.
Porque como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de CERTO e ERRADO.
Agir corretamente quando se está sendo observado é uma coisa.
A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém nos está observando.
Esta conduta correta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE PARA A ÁGUA.
A boa educação é como uma moeda de ouro: tem valor em toda parte."

Talvez devessemos devolver mais peixes à água em nossas vidas, para que entendessemos o imenso e inegociável valor que a ética tem para uma sociedade que quer ser feliz. A felicidade não reside em se levar vantagem daquilo que 'não está sendo visto',  ela repousa seus fundamentos sobre o valor que o homem possui de dentro para fora.
É triste sermos testemunhas de mais um escândalo, seja ele de quem for. Mas  é desesperador presenciarmos as inúmeras tentativas de se relativizar a ética e a moral.

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