2 de jun. de 2011

QUANDO SECAREM AS ÁGUAS

Boa Tarde!

O mercado de saúde suplementar anda numa fase de massificação total. As empresas todas, com ênfase àquelas que realizaram abertura de seus capitais, buscam agressivamente a ampliação de seus números, tanto pela possibilidade cada vez mais próximas de entrada de investidores estrangeiros, quanto premidas pelas incansáveis cobranças daqueles que adquiriram seus papéis e agora querem o devido retorno financeiro. Nada de novo nisto, tampouco se pode criticar a concorrência, especialmente numa sociedade capitalista. Aliás, que Deus nos livre de mercados sem concorrência!
Mas preocupa-me um aspecto que tenho vivenciado nesta massificação: o abandono da qualidade real em favor da quantidade real. Chamo de qualidade real a maximização dos processos, centralizados na figura do cliente e que prefere aferir ganhos mais parcelados a colocar em risco as melhorias e agregação de valores já existentes aos clientes.
Não são muitos os executivos que defendem tais princípios. Posso contar nas mãos aqueles que acompanham, na medida de suas agendas lotadas, a totalidade do processo de ganho, iniciado na entrada das unidades de sua empresa e concluído no balanço aprovado pelo conselho superior de cada instituição.
Sim porque o lucro é consequente, não é iniciante de nenhuma ação corporativa. E aqueles que hoje se encantam com a busca da quantidade poderão muito bem perceber, talvez tardiamente, que jogaram fora um bem precioso criado pela qualidade: o vínculo do cliente.
Estar vinculado é fazer daquele produto (e por extensão daquela empresa) sua referência inicial, automática, para qualquer provocação que a ele se reporte, de maneira direta ou indireta. O vínculo envolve aspectos personalíssimos dos clientes (como a satisfação interior, o sentimento de valorização, etc), mas ele se dá a partir de provocações visíveis, ou seja, a partir da qualidade do que é oferecido.
Os empresários estão meio que abandonando este caminho, em prol dos ganhos volumosos e imediatos.
Não tenho o perfil de empresário. Continuo aprendendo a ser gestor, mas neste aprendizado contínuo posso afirmar que a qualidade gera perenidade, o vínculo é um rio cujas águas não são tão caudalosas, mas possuem um volume constante, nos tempos de cheia e nas secas.
Já os ganhos imediatos são cachoeiras que durante o inverno oferecem imagens fantásticas e águas abundantes. Mais até do que temos real escassez. Em contrapartida, durante o verão, nas secas, nos momentos de maior necessidade do ser humano, estarão vazias de conteúdo e de possibilidades.
Infelizmente estão se imolando os processos de qualidade (e consequentemente os gestores que os defendem), em nome de satisfazer os financiadores agressivos.
A pergunta é: eles continuarão financiadores se (e quando) a cachoeira secar?

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