17 de set. de 2011

HIPOCRISIA ESTATAL

Boa Noite!

Algumas posições adotadas pelos setores do governo que cuidam da fiscalização do mercado de saúde suplementar são tão controversas que chegam a assustar mesmo os gestores mais antigos, que já viram muita coisa. Uma delas, sem dúvida, é a 'descoberta' do CADE de que a fusão entre AMIL e MEDIAL gera concentração em algumas regiões de São Paulo.
Ora, isso não é um propósito da operação, e sim uma consequência da regulamentação do mercado de saúde. Aliás, a concentração de operadoras é um objetivo defendido, declarado e assumido pela ANS, agência governamental encarregada de 'qualificar' o citado mercado. Através das suas incontáveis normas e instruções, a ANS tem forçado neste seus onze anos de vida o desaparecimento de todos os pequenos planos de saúde, que provinham o acesso das populações de menor renda exatamente pelo fato de serem regionalizados e não possuírem estrutura e rede com complexidade elevada.
Por diversas vezes e de diferentes formas, a ANS demonstrou que gostaria de sumir com tais empresas, como de fato vem acontecendo, dando como certa a concentração e mais, associando esta última à qualificação do setor. Então, porque agora se fala em punir as empresas que uniram suas operações?
Não trabalho em nenhuma delas e tampouco faço defesa cega de ambas, mas sinceramente é hipocrisia imputar a ambas o cumprimento de algo que o próprio Estado quase que 'exige' das empresas privadas.

Nenhum comentário: