Boa Tarde!
Terminou na sexta feira, dia 21 de outubro, no Rio de Janeiro, a Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde reunindo representantes de mais de 100 países de todo o mundo que avançaram nas discussões acerca dos fatores que impactam e interferem sobre os Sistemas Sanitários e que não decorrem de questões de saúde. Todos os delegados ratificaram a necessidade do tema DETERMINANTES SOCIAIS ser inserido na agenda da Organização Mundial de Saúde (OMS) uma vez que o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (hipertensão, diabetes, câncer e doenças respiratórias) foi pauta da conferência de alto nível da ONU, realizada em setembro e acompanhada por autoridades e chefes de Estado de 193 países.
A pouca compreensão de uns e a deliberada omissão de outros faz com que a cada dia revigore-se a linha que trata da saúde como algo exclusivamente vinculado ao combate da doença. Nada mais absurdo e nem arcaico, esta postura é pior do que um retrocesso, pois em nosso caso, além do tempo não ser nosso aliado ele simplesmente não existe mais.
Em um dos painéis realizados, para termos uma idéia da urgência desta questão, denominado O papel do setor da saúde, incluindo os programas de saúde pública, na redução das desigualdades, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, manifestou seu receio de que a prática, já comum dos governos reduzirem o orçamento da área de saúde e de programas sociais torne-se a regra e não mais uma exceção, pela sua contínua repetição. "O mais importante é saber que as crises impulsionam mudanças, e a saúde tem a vantagem de ser um barômetro", afirmou, usando a linguagem diplomática para demonstrar o desperdício para governos e empresas que não sabem usar a saúde como um dos pilares mais importantes para o crescimento e a melhoria das sociedades que governam.
Como um dos exemplos mais gritantes a diretora informou que cerca de 85% dos países no mundo NÃO POSSUEM SISTEMAS DE CAUSA DE MORTALIDADE, ou seja, além de não identificarem o que precisa ser evitado, desperdiçam volumosos recursos para pagarem a MORTE e não preservarem a VIDA.
Será que alguém pode achar vantajoso isto?
Será que ainda é possível acreditarmos que medidas paliativas e incompletas voltadas simplesmente para a sinistralidade tornarão este ou aquele sistema de saúde, público ou privado, longevivo? O exemplo mais marcante talvesz tenha sido o do Marrocos. Após três anos de monitoramento de causas e efetiva ações de combate, que passam obrigatoriamente pelas intervenções no nível primário, a Ministra de Saúde daquele país pode comemorar com todos a redução de 50% das causas de mortalidade materna.
Se tenho menos mortalidade terei menos desembolso (pois o óbito é caro e requer expressivos aportes financeiros para nenhum resultado) e mais tempo laborativo útil das mulheres envolvidas nos programas. TODOS ganham. Qual é então a resistência? Talvez este devesse ser um tema central do próximo encontro.
De minha parte não consigo ver além do imediatismo, combinado com uma boa dose de desconhecimento técnico. Querer resultados imediatos e que não se sustentam foi um dos motores da sreformas implantadas nos Estados Unidos. E já conhecemnos bem os seus grandes resultados. Melhor a prevenção, do que lamber as feridas da falta de vis]ao.
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