1 de dez. de 2011

PREVENIR OU PAGAR

Boa Noite!

Estudo efetuado pela Universidade de Yale (EUA) aponta em sua conclusão que a solidão aumenta os riscos de desenvolvimento e aumento de agressividade do câncer de mama, além de sua mortalidade. Ainda que estas observações tenham sido alcançadas com cobaias animais e necessitem de maiores estudos com seres humanos, já apontam para fatores preocupantes aos gestores de sistemas de saúde: as necessidades de sairmos todos das intervenções meramente assistenciais, buscando definitivamente o Cuidado com o Ser Humano como um todo.


Já é aceito pelos cientistas que pacientes com câncer que possuem depressão têm piores indicadores sanitários e apresentam uma maior perda de sobrevida quando comparados àqueles que não têm esta doença mental. Embora não se deva estabelecer uma relação direta, fica claro que o grau de sofrimento mental causado pela depressão desestabiliza e piora os mecanismos de defesa naturais do corpo humano, facilitando o trabalho dos agentes da doença.

A humanidade continua a ser violentada (não encontro outro termo) com o cruel assédio da mídia e de seus sequazes na venda das máquinas e equipamentos “modernos” capazes de “promover a saúde” (sic). Enquanto isso, aspectos tão vitais e sensíveis como a inclusão daqueles que pelo sofrimento mental se auto-excluíram do convívio social e familiar, são relegados ao esquecimento, pouco estudados e, quando identificados, mal atacados.

Qual a estratégia da saúde e dos seus agentes para combater este mal moderno, que causa dores silenciosas e não físicas aos que dela padecem, e que atende pelo nome de solidão? Será que alguém duvida ser este o grande problema de saúde coletiva que atinge as grandes cidades em nosso país, e agora o sabemos, no restante do mundo?

Por que as nossas ações de saúde, desenvolvidas para grupos, continuam a insistir em formas que não sensibilizam e por isso não atraem as pessoas solitárias (e sofredoras)?

Está na hora de retomarmos as discussões jogando fora paradigmas obsoletos e que não revertem em resultados sanitários. A pesquisa americana, quando concluída em nível de evidência dentre os seres humanos, não apontará outro resultado distinto do encontrado nos ratinhos: o sofrimento causado pela solidão faz com que o ser humano tenha seu quadro agravado. E para tratar, prevenir ou curar sofrimentos e solidões devemos usar o conhecimento contextualizado e voltado às massas que estão sob nossa responsabilidade.

Sem máquinas, mas também sem as velhas máscaras ideológicas e, por isso mesmo, anacrônicas e míopes. Revisitemos os conceitos básicos, adaptemo-los às necessidades atuais e retomemos o caminho da saúde integral.

Não apenas porque é o melhor caminho, mas simplesmente porque não existe outro se queremos realmente falar de Atenção Primária. Penso que ainda dá tempo.

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