Boa Tarde!
Quando os primeiros raios do sol começam a nascer, em especial sobre o mar, invade-nos uma sensação de conforto e amparo indescritíveis. É como se aqueles fiapos iniciais da luz solar reavivassem em cada ser humano a certeza da vitória, o recomeço da esperança, o fim das trevas!
A luz vai ocupando seu espaço e a escuridão, com seus medos agregados, sua tenebrosa opressão e a sensação de indefinição e pequenez que as trevas nos incutem, perde espaço e desaparece do nosso horizonte. O homem respira o mesmo ar da noite, mas que parece revigorado pela brisa da manhã. Que belo momento é o amanhecer.
Descrevo-o porque, para mim, a depressão é uma noite que não termina. Todos os nossos semelhantes, vítimas desta silenciosa e cruel patologia, estão aprisionados por sombras que, mesmo contra suas vontades conscientes, insistem em não deixá-los.
Quanta angústia que surge do nada! Quanta tristeza sem que se possa compreendê-la ou associá-la a um fato qualquer! Quanta solidão ainda que cercados de tantos que querem o bem e amam ao depressivo!
Esta verdadeira praga do crescimento e desenvolvimento capitalista, chamada solidão urbana, veio a transformar a depressão de uma preocupante patologia mental, numa verdadeira “epidemia” que se alastra em todos os países, níveis sociais e culturais, povos e raças.
Segundo um estudo da Universidade de Illinois (Chicago/Estados Unidos), publicado no International Journal of Psychiatric in Medicine, 16% da população moderna pesquisada, apresentavam sinais claros de depressão. Ou seja, se você trabalha num ambiente com 30 pessoas, no mínimo duas delas possuem esta patologia e, certamente, com medo de serem despedidas ou tachadas de “loucas”, manter-se-ão silenciosas, prisioneiras de si mesmas, até que a doença as derrote, muitas vezes de forma irreversível.
Por outro lado, o volume de metas, objetivos a serem alcançados, desafios para se preservar o emprego, assédios de toda ordem, pressões e mais pressões, estão levando todos os seres humanos ao limite de sua capacidade intelectual e à perigosa área fronteiriça entre a estabilidade racional e a instabilidade psíquica.
Este insensato volume de sofrimento que a sociedade contemporânea produz em seus filhos, sob o pretexto de “busca da felicidade”, já superou de muito os níveis toleráveis e aceitáveis pela inteligência humana. Dizendo que buscamos a felicidade, e representando-a sob a forma de bens materiais e consumo desenfreado, estamos nos tornando cada vez mais burros e, o que é pior, insensíveis aos que sofrem em nosso derredor.
A depressão requer uma alta dose de compreensão, é verdade. Mas ela exige de cada um de nós a mais alta expressão da existência humana: a solidariedade. Não é fácil, reconheço-o. Mas se tornará menos difícil se conseguirmos nos lembrar que, para nós, o dia sempre chegará, com o sol lindo e a brisa revigorante de uma manhã. Para aqueles que sofrem de depressão, porém, a noite nunca termina .
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